Quanto mede sua cintura? Esse número pode indicar risco de infarto
- Redação Saúde Minuto
- 19/04/2026
- Infarto Saúde
A gordura no corpo não é só uma questão de estética. Aquela barriguinha que muita gente acha inofensiva pode estar ligada a problemas sérios de saúde, como infarto e AVC, duas das principais causas de morte no mundo.
O grande vilão muitas vezes não é apenas o peso na balança, mas a chamada gordura visceral. Ela se acumula dentro do abdômen, ao redor de órgãos importantes como fígado, intestino e pâncreas, e pode trazer consequências importantes para o coração. A Dra. Rafaela Penalva, chefe da Seção de Cardiometabolismo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, detalha como a gordura abdominal impacta o metabolismo, contribui para processos inflamatórios e está diretamente associada ao aumento do risco cardiovascular.
Como a gordura vira placas nas artérias
O problema costuma começar de forma silenciosa. Quando o colesterol está alto, principalmente o LDL, conhecido como colesterol ruim, parte dessa gordura pode se depositar nas paredes das artérias.
Com o tempo, esse material vai se acumulando junto com células inflamatórias e cálcio, formando as chamadas placas de gordura.
Essas placas vão estreitando as artérias e dificultando a passagem do sangue. Em alguns casos, elas podem até se romper. Quando isso acontece, o organismo forma um coágulo para tentar “consertar” o problema, mas esse coágulo pode acabar bloqueando completamente a circulação.
Se a obstrução acontece nas artérias do coração, ocorre o infarto.
Se acontece nas artérias que levam sangue ao cérebro, pode provocar um AVC.
A barriga pode ser um sinal de alerta
Um dos sinais mais simples de risco cardiovascular é a medida da cintura.
A circunferência abdominal ajuda a indicar quanto de gordura visceral existe no corpo. Quanto maior essa medida, maior tende a ser o risco para o coração.
Os valores considerados preocupantes são:
Homens: acima de 102 centímetros
Mulheres: acima de 88 centímetros
Se a fita métrica passa desses números, vale acender o alerta.
Por que a gordura abdominal faz tão mal
Diferente da gordura que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral é muito mais ativa dentro do organismo. Ela libera substâncias inflamatórias que afetam o metabolismo e favorecem várias doenças.
Entre os efeitos mais comuns estão:
aumento do colesterol ruim (LDL)
queda do colesterol bom (HDL)
aumento da pressão arterial
maior risco de diabetes
inflamação constante no organismo
Tudo isso cria o cenário perfeito para o acúmulo de placas nas artérias e o aumento do risco cardiovascular.
Mais barriga, mais risco para o coração
Estudos mostram que pessoas com acúmulo de gordura na região abdominal têm mais chance de desenvolver:
doença nas artérias do coração
infarto
AVC
diabetes tipo 2
pressão alta
E um detalhe importante: nem sempre a pessoa parece obesa. Muitas vezes o peso até está normal, mas a gordura se concentra na barriga, o que também aumenta o risco.
O tamanho da cintura em comparação com o quadril também é um alerta
O tamanho da cintura em comparação com o quadril também é um alerta. Essa relação, chamada de relação cintura-quadril (RCQ), compara as duas medidas para mostrar como a gordura está distribuída no corpo. Quando a cintura é proporcionalmente maior que o quadril, isso indica um risco mais elevado de síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
Além da RCQ, outra medida importante é a circunferência do braço, que ajuda a avaliar a composição corporal, o estado nutricional e a massa muscular. Com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos, a redução da massa magra e o aumento da gordura no músculo podem levar à sarcopenia e agravar o risco cardiovascular.
Um problema que pode ficar anos escondido
As doenças cardiovasculares podem evoluir durante anos sem provocar sintomas claros. As placas vão se formando lentamente até que, em algum momento, ocorre uma obstrução repentina que pode levar ao infarto ou ao AVC.
Por isso, cuidar da saúde do coração não deve começar apenas quando surgem sintomas.
O que ajuda a proteger o coração
Algumas mudanças simples podem ajudar a reduzir o risco:
manter um peso saudável
reduzir a gordura abdominal
praticar atividade física regularmente
controlar colesterol, pressão e glicemia
evitar cigarro
ter uma alimentação equilibrada
Além disso, consultas médicas e exames periódicos ajudam a identificar fatores de risco antes que o problema apareça.
Texto por: Dra. Rafaela Penalva