Venvanse, o doping corporativo
- Fabricio Colli
- 23/09/2024
- Medicamentos Saúde
Venvanse, o doping corporativo
O Venvanse é um medicamento derivado da anfetamina que atua como estimulante do sistema nervoso central. É utilizado no tratamento de TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) e TCA (transtorno de compulsão alimentar) em adultos.
Segundo a neurologista Dra. Alessandra Russo, “Os resultados esperados são: melhora da atenção, foco e concentração, além de controle de impulso e agitação psicomotora.” A droga, todavia, vem ganhando popularidade entre pessoas não diagnosticadas com os transtornos em questão, especialmente entre profissionais dos setores financeiro, tecnológico e jurídico. Esse uso visa aumentar a produtividade e o foco, tornando-se conhecida como a droga da Faria Lima, grande centro comercial e financeiro da capital paulista.
Pessoas que trabalham longas jornadas e precisam de atenção plena podem se sentir exaustas e desfocadas. O uso abusivo e sem indicação médica de estimulantes pode causar diversos efeitos colaterais. Embora possa haver uma sensação de melhora na concentração e no raciocínio, o mau uso do medicamento pode resultar em insônia, dor de cabeça, arritmias e até em tolerância, exigindo dosagens cada vez maiores, o que pode levar ao vício.
“Uma avaliação clínica e a realização de exames complementares são importantes antes do início do tratamento medicamentoso; a automedicação representa um risco à saúde”, explica Dra. Alessandra.
Além de profissionais, outros grupos interessados no Venvanse incluem vestibulandos e estudantes de concursos públicos, que usam o pico de produção de noradrenalina e cortisol a seu favor para estudar sem interrupções.
Para aqueles que tomam o remédio em busca de emagrecimento, a indicação é feita apenas para pacientes com compulsão alimentar, ou seja, pessoas que comem mesmo sem ter fome. Nesse caso, a ativação do sistema nervoso simpático inibe o apetite.
Embora seja efetivo no tratamento dos transtornos para os quais é indicado, médicos alertam que o uso irregular em busca de ‘superpoderes’ pode agravar problemas psíquicos em pacientes já predispostos, surgindo a possibilidade de surtos maníacos e psicóticos em indivíduos com tendências à esquizofrenia ou transtorno bipolar.
Em vez de buscar soluções rápidas com o uso de medicamentos quando não há indicação médica, o ideal é investir em estratégias de gestão do tempo, hábitos saudáveis e técnicas de concentração que promovam um desempenho sustentável a longo prazo.
Recomenda-se sempre realizar uma avaliação médica antes de iniciar qualquer tratamento
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