Você ronca? Não ignore esse sinal.
- Redação Saúde Minuto
- 06/07/2026
- Saúde Sono
Quem nunca ouviu alguém dizer que roncar é sinal de sono pesado? Embora essa ideia seja bastante comum, ela nem sempre é verdadeira.
Se o ronco acontece quase todas as noites, é muito alto ou vem acompanhado de pausas na respiração, ele pode ser um alerta de que algo não vai bem durante o sono.
“O ronco nem sempre é apenas um incômodo. Em muitos pacientes, ele é o primeiro sinal da apneia obstrutiva do sono, uma doença que precisa ser investigada”, explica o otorrinolaringologista Dr. Francisco Leite dos Santos.
Afinal, por que a gente ronca?
O ronco acontece quando o ar encontra dificuldade para passar pelas vias respiratórias durante o sono.
Com menos espaço para circular, ele provoca a vibração dos tecidos da garganta, produzindo aquele barulho tão conhecido.
Em algumas situações, isso acontece apenas de forma ocasional.
É comum roncar depois de consumir bebida alcoólica, quando se está muito cansado, resfriado ou com o nariz entupido.
O problema começa quando o ronco vira rotina.
Quando o ronco deixa de ser normal?
Se você ronca praticamente todas as noites, acorda cansado ou alguém já comentou que você para de respirar enquanto dorme, vale procurar um especialista.
Segundo Dr. Francisco, esses sinais podem indicar apneia obstrutiva do sono, uma doença em que a passagem de ar fica parcialmente ou totalmente bloqueada diversas vezes durante a noite.
Cada pausa pode durar mais de dez segundos e acontecer dezenas ou até centenas de vezes enquanto a pessoa dorme.
O resultado é um sono fragmentado e pouco reparador.
Os sinais que merecem atenção
Além do ronco frequente, fique atento se você apresenta:
- pausas na respiração durante o sono;
- sensação de engasgo ou sufocamento à noite;
- sono agitado;
- cansaço ao acordar;
- dor de cabeça pela manhã;
- dificuldade de memória e concentração;
- sonolência durante o dia.
O problema vai muito além da cama
A apneia do sono não atrapalha apenas a qualidade do descanso.
Quando não é tratada, ela pode aumentar o risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, alterações de memória e até acidentes provocados pelo excesso de sono durante o dia.
“Quanto antes identificarmos a causa do ronco, maiores são as chances de evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma o especialista.
Como descobrir se é apneia?
O diagnóstico começa com a avaliação clínica, mas normalmente é confirmado por um exame chamado polissonografia, conhecido como o exame do sono.
Durante uma noite de sono, ele registra a respiração, a oxigenação do sangue, os batimentos cardíacos, a atividade cerebral e os movimentos do corpo.
Tem tratamento?
Sim. E ele varia de acordo com cada paciente.
As opções incluem perda de peso quando necessária, tratamento da obstrução nasal, aparelhos intraorais, uso do CPAP, equipamento que mantém a passagem de ar aberta durante o sono e, em alguns casos, cirurgia.
Texto por: Dr. Francisco Leite dos Santos.