Queda de temperatura eleva risco de gripe, infecção urinária e até infarto
- Redação Saúde Minuto
- 13/05/2026
- Frio Saúde
Frio chegou com tudo. E junto dele vêm gripe, infecção urinária e até mais risco de infarto
Bastou a temperatura despencar em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para muita gente correr atrás do casaco, do cobertor e do banho pelando. Mas o frio não mexe só com o guarda roupa. O corpo também sente e bastante. Com a chegada dessa frente fria intensa ao Sudeste, médicos já observam aumento nos casos de gripe, crises respiratórias, infecções urinárias, candidíase e até complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.
E não é exagero.
Quando esfria, as pessoas naturalmente bebem menos água, passam mais tempo em ambientes fechados e acabam mudando hábitos que impactam diretamente a saúde. O resultado aparece rápido nos consultórios e hospitais. Segundo o urologista Dr. Sérgio Souza, o frio favorece principalmente os quadros de infecção urinária porque muita gente reduz a hidratação sem perceber.
“Muitas pessoas ignoram os sintomas iniciais e demoram para procurar ajuda. Isso pode fazer a infecção evoluir e atingir até os rins”, alerta.
E os cuidados vão muito além de beber água. O médico reforça que urinar após relações sexuais, não segurar o xixi por muito tempo e manter uma boa higiene íntima ajudam bastante na prevenção. Outro problema clássico do inverno envolve roupas apertadas, leggings, calças justas e tecidos sintéticos que abafam a região íntima. Segundo o ginecologista Dr. César Patez, esse combo cria o ambiente perfeito para fungos como a cândida se multiplicarem.
“No frio, as pessoas passam mais tempo com roupas fechadas e muitas vezes esquecem da ventilação adequada da região íntima. Isso aumenta bastante os casos de candidíase e irritações”, explica.
Já nas vias respiratórias, o impacto também é pesado. Ambientes fechados, baixa umidade do ar e maior circulação de vírus fazem disparar os casos de gripe, sinusite e crises alérgicas. A otorrinolaringologista Renata Mori explica que aquela famosa dor no corpo típica da gripe acontece por causa da resposta inflamatória do organismo. E ela faz um alerta importante. Não vale esperar “passar sozinho”.
“Quanto antes for feito o diagnóstico, maiores são as chances de iniciar medicações específicas contra Influenza nas primeiras 48 horas”, destaca. Mas o frio também castiga a pele. Banhos muito quentes, vento gelado e clima seco acabam destruindo a barreira natural de proteção da pele, provocando descamação, coceira e ressecamento intenso. Segundo o dermatologista Dr. Gustavo Saczk, no inverno não basta só passar qualquer hidratante.
“A pele precisa de reposição lipídica. Hidratantes mais potentes ajudam a restaurar a barreira cutânea”, explica. E talvez o ponto mais perigoso dessa queda brusca de temperatura esteja justamente no coração. O cardiologista Vitor Bruno Teixeira de Holanda explica que o frio faz os vasos sanguíneos se contraírem para conservar calor. Isso aumenta a pressão arterial e sobrecarrega o sistema cardiovascular. É por isso que infartos, AVCs e crises hipertensivas costumam aumentar no inverno, principalmente em idosos e pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico de doença cardíaca.
Além disso, durante os dias frios muita gente abandona os exercícios, exagera nos alimentos calóricos e reduz ainda mais a hidratação. Um combo nada amigável para o coração. Os sinais de alerta incluem dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura, aumento importante da pressão arterial, inchaço e cansaço excessivo. “Pacientes cardíacos precisam redobrar os cuidados no frio. Qualquer piora deve ser avaliada rapidamente”, reforça o cardiologista.
Resumo da história? O inverno pode até parecer aconchegante, mas o corpo sente e muito a mudança brusca de temperatura. E às vezes aquele simples “friozinho” pode virar um problema de saúde bem mais sério do que parece.
Texto por: Dr. Gustavo Saczk