Muito além da infecção do vírus: síndrome pós-aguda da COVID-19
- Redação Saúde Minuto
- 12/04/2021
- COVID-19 Helio Castello Saúde
A Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pela Covid-19 (SARS-CoV-2) tem demonstrado, em vários pacientes, um efeito inflamatório intenso que atinge não apenas os pulmões, mas compromete múltiplos órgãos, gerando um estado de doença mais intensa com longos períodos de internações, o que causa um desgaste maior e generalizado ao organismo.
Mesmo após a resolução do quadro infeccioso e alta hospitalar, muitos pacientes experimentam um quadro ainda mais prolongado com sintomas que dificultam o retorno às suas atividades rotineiras. A este quadro damos o nome de Síndrome Pós-aguda da Covid-19.

Os sintomas da Síndrome são comumente mais persistentes e se prolongam, geralmente, além de quatro semanas do período de infecção aguda e podem se apresentar com quadros mais ou menos intensos de: fadiga, fraqueza muscular, dores no corpo, cefaleia, falta de ar (dispneia), dependência de oxigênio, dor torácica, distúrbios cognitivos, ansiedade, depressão, distúrbios do sono, palpitações com arritmias cardíacas, dores no peito, episódios de embolia com trombose, alterações de função renal, dores nas articulações (artralgias), queda de cabelo e declínio na qualidade de vida.
Os mecanismos potenciais que contribuem para a fisiopatologia da Covid-19 pós-aguda podem ser:
1) alterações patológicas específicas do vírus que incluem, por exemplo, lesões pulmonares como a fibrose, lesões cardíacas como miocardite, que poderia levar à perda de função do pulmão e/ou coração, respectivamente;
2) aberrações imunológicas e danos inflamatórios em resposta à infecção aguda;
3) sequelas esperadas da doença pós-crítica, bastante comum em pacientes que ficam internados por períodos muito longos em unidade de terapia intensiva, que correspondem a lesão microvascular com isquemia, sequelas de infecções terciárias e oportunistas, imobilidade com perda de força muscular, desnutrição e outras alterações orgânicas e metabólicas.
Sendo assim, nos esbarramos em uma crise de saúde que irá além do dano agudo causado pelo vírus. Teremos um número considerável de pacientes que necessitarão de cuidados especiais, pelo menos por um período maior de convalescência, com o apoio multiprofissional, de médicos generalistas, médicos especialistas de várias áreas, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, dentre outros.
Resta-nos saber se a saúde brasileira – privada e pública – está preparada para a continuidade desta assistência e se poderá devolver a vida normal ao nosso povo pós-pandemia.

Dr. Hélio Castello
Cardiologista Intervencionista