Saiba mais sobre a bradicardia, tipo de arritmia em que o coração bate devagar
- Redação Saúde Minuto
- 21/07/2021
- Cardiologia Marcelo Cantarelli
Apesar de muitas vezes não apresentar riscos, é importante se atentar aos sinais acompanhados da alteração nos batimentos
Bradicardia é o termo utilizado quando o coração está batendo devagar, ou seja, quando seus batimentos estão abaixo de 60 por minuto. Normalmente, em situação de repouso, nosso coração bate, em média, entre 60 a 80 vezes por minuto. Acima disso, denominamos taquicardia e abaixo, bradicardia. Essas duas condições compõem o conjunto das alterações do ritmo cardíaco denominado arritmias.
A bradicardia pode ser fisiológica ou patológica, ou seja, causada por uma anormalidade ou doença.
Muitas situações podem levar a pessoa a apresentar bradicardia, entre as mais frequentes estão:
- Prática regular de exercícios aeróbicos
- Uso de determinados medicamentos (como os betabloqueadores, digitálicos, por exemplo)
- Distúrbios da tireoide como o hipotireoidismo, intoxicação por agentes atropínicos
- Queda de açúcar no sangue (hipoglicemia)
- Desmaio (síndrome neurovasogênica)
- Hipotermia
Nessas situações o coração bate mais devagar, mas dentro de funcionamento elétrico normal, denominado sinusal. Em outras situações, o coração começa a bater mais devagar por conta de falhas no seu circuito elétrico, denominadas de bloqueios.
O coração tem um sistema de condução elétrico onde há uma fonte geradora (nó sinusal), uma distribuidora (nó atrioventricular) e os fios condutores de energia.
Os bloqueios, como num apagão de energia elétrica, podem ocorrer de quaisquer desses três pontos, originando os chamados bloqueios átrio-ventriculares de primeiro, segundo ou terceiro (total) grau e os bloqueios de ramo direito ou esquerdo. Esses bloqueios podem ser também causados ou exacerbados pelo uso de medicações
Mas afinal, o que fazer se meu coração estiver batendo mais devagar?
A princípio, pode não ser problema algum, como comentamos, a prática de exercícios aeróbicos frequentes leva ao “condicionamento” onde o coração não precisa bater tanto para enviar oxigênio aos tecidos. Um atleta bem condicionado apresenta batimentos cardíacos abaixo de 50 sem nenhum problema.
Fique atento ao uso de medicamentos e suas doses corretas, sempre com orientação médica, para evitar seus efeitos adversos.
Se junto da observação da baixa frequência cardíaca estiverem ocorrendo sintomas como tonturas, enjoos, fraqueza, queda de pressão ou desmaios, deve-se procurar atendimento médico, pois a chance da bradicardia ser patológica é alta.
O tratamento depende do diagnóstico, no caso de um hipotireoidismo (quando a glândula tireoide produz pouco hormônio), a reposição hormonal adequada corrige o problema.
No caso dos bloqueios cardíacos mais avançados, há a necessidade do implante de marca-passo.
Devemos lembrar que os bloqueios mais avançados são, na maioria das vezes, secundários ao “envelhecimento” ou degeneração do sistema elétrico do coração e, por isso, acontecem com muito mais frequência em pessoas acima dos 60 anos.
Em nosso país devemos lembrar que a doença de Chagas está ainda muito presente em algumas regiões e é uma importante causa desses bloqueios em pessoas jovens.
Com muito menor ocorrência, esses bloqueios podem ser congênitos, ou seja, detectados ao nascimento, causados por problemas primários do sistema elétrico ou por alterações da estrutura do coração.

Dr. Marcelo Cantarelli
Cardiologista