Esclerose Lateral Amiotrófica: especialista explica sintomas, evolução e avanços no tratamento
- Redação Saúde Minuto
- 20/02/2026
- Saúde Video
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os neurônios motores — células responsáveis por comandar os movimentos voluntários do corpo. Embora considerada rara, a condição ganhou maior visibilidade nos últimos anos, especialmente após casos envolvendo figuras públicas, como o ator Eric Dane.
De acordo com o neurologista e neuropediatra Dr. José Marcos Vieira de Albuquerque Filho, especialista em doenças neuromusculares, a forma mais comum da ELA é a esporádica, quando não há uma causa genética identificável. “Diversos mecanismos celulares estão envolvidos na degeneração dos neurônios motores, tanto na medula espinhal quanto no cérebro”, explica.
Principais sinais e sintomas
O quadro clínico costuma se iniciar com fraqueza muscular progressiva, frequentemente acompanhada de atrofia — perda de massa muscular decorrente da falta de estímulo nervoso. Outro sinal característico são as fasciculações, pequenas contrações involuntárias visíveis sob a pele.
Além disso, é comum a presença de reflexos exaltados ao exame físico, resultado do comprometimento simultâneo de diferentes vias motoras. Com a progressão da doença, podem surgir dificuldades para caminhar, movimentar os braços, falar, engolir e, em fases mais avançadas, alterações respiratórias.
Forma familiar e terapias direcionadas
Embora a maioria dos casos seja esporádica, cerca de 10% dos pacientes apresentam a forma familiar da doença, associada a mutações genéticas específicas. Esses casos têm importância crescente, pois já existem terapias direcionadas a determinados perfis genéticos, representando um avanço relevante na abordagem da ELA.
Entre os medicamentos utilizados para retardar a progressão da doença estão o riluzol e a edaravona. Em situações específicas, terapias mais recentes voltadas a mutações genéticas determinadas também podem ser indicadas.
Tratamento vai além da medicação
Apesar dos avanços farmacológicos, o especialista ressalta que o pilar do tratamento é o acompanhamento multidisciplinar. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte respiratório são fundamentais para preservar a funcionalidade, prevenir complicações e garantir melhor qualidade de vida ao paciente.
“O acompanhamento com o neurologista é essencial não apenas para conduzir o tratamento, mas também para diferenciar a ELA de outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes e possuem terapias distintas”, destaca.
Embora o diagnóstico ainda represente um grande impacto emocional para pacientes e familiares, a informação qualificada, o diagnóstico precoce e o suporte especializado são aliados importantes na jornada contra a doença.
CRM-SP 186191
RQE neurologia: 97386
RQE neurologia pediátrica: 111697