Saiba o que é a episiotomia
- Redação Saúde Minuto
- 16/08/2021
- Aline Ambrósio Saúde
Fazer a incisão na hora do parto deve ser escolha da mulher, que precisa levar em consideração prós e contras
A episiotomia é uma incisão cirúrgica usada para aumentar a abertura vaginal com a função de facilitar partos mais complicados. Criada pelo obstetra irlandês Fielding Ould no século 18, a episiotomia só foi difundida em larga escala a partir do século 20, sobretudo nos Estados Unidos para prevenir lesões maternas e fetais.
Sua prática foi expandida nas décadas seguintes onde a quantidade de partos havia crescido vertiginosamente a partir da década de 40, entretanto, a episiotomia gerou uma série de contradições, pois sua técnica não se baseava em evidências científicas, ou seja, sem evidências consistentes sobre sua efetividade, tornando-se um procedimento menos rotineiro e mais restrito.
Atualmente, à luz da obstetrícia moderna, aproximadamente 12% dos partos vaginais nos Estados Unidos são com episiotomia.
A partir da revisão de Cochrane (revisão sistemática da literatura feita por meio de um estudo secundário, que tem por objetivo reunir estudos semelhantes, publicados ou não, avaliando-os criticamente em sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, a metanálise, quando isso é possível), seu uso se reduziu substancialmente. Além disso, o estudo não separa os tipos de episiotomia, sendo um fator de confusão, nestes oito ensaios com evidências de baixa certeza.
Tal revisão concluiu que em mulheres em que o parto vaginal não assistido for antecipado, a política de episiotomia seletiva pode resultar em redução de trauma perineal ou vaginal grave, demonstrando que a episiotomia de rotina não é justificada pelas evidências atuais.
Foi publicado na Inglaterra, um relatório que analisou a base de dados do National Health Service, checando partos vaginais entre 2000 e 2011. Este estudo mostrou que o uso de episiotomia em partos vaginais não instrumentais (com fórcipe ou vácuo-extrator) diminuiu no período, elevando 3 a 4 vezes as lesões graves de períneo, com lesões de terceiro e quarto grau de 6 por 100 partos.
Os fatores de risco associados às lesões foram: idade materna acima de 25 anos; parto instrumental, asiáticas, status socioeconômico mais elevado, recém-nascido com maior peso e distorcia de ombro (dificuldade de sair o ombro – situação improvável de prever antes de sair a cabeça do bebê).
Além disto, as lesões ocultas de esfíncter anal (não vistas na hora do parto) são uma preocupação e sua incidência não é desprezível. Elas podem estar presentes e evidenciadas a longo prazo, com perda de gazes ou fezes, impactando a qualidade de vida da mulher, pessoal e socialmente.
Ainda faltam estudos bem desenhados, que distinguem o tipo de episiotomia, a posição na hora do nascimento (que influencia o tipo de proteção que se pode aplicar no períneo), e definição dos fatores seletivos para episiotomia.Atualmente não há evidencia cientifica para definir, certeiramente, as indicações da episiotomia.
As mulheres têm o direito de escolher se desejam tentar ou não o parto sem episiotomia, mas devem entender as limitações destas informações da literatura e da dificuldade de cercarmos todos os fatores seletivos indicadores da episiotomia, como a distocia de ombro, que será verificada, geralmente, depois que a laceração possa ter ocorrido.

Dra. Aline Ambrósio
Ginecologista