Hepatites Virais: principais formas de contágio e tratamentos
- Redação Saúde Minuto
- 17/07/2023
- Infectologista Saúde
As Hepatites virais podem ser divididas em Agudas e Crônicas e podem ser causadas por pelo menos 5 vírus diferentes: A, B, C, Delta, E.
As hepatites agudas costumam cursar com um quadro de diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal à direita ou difusa. Após 2 a 3 dias aparece a icterícia (amarelamento da pele), colúria (urina de com marrom, parecendo refrigerante de cola), acolia fetal (fezes claras, cor de massa de vidraceiro). A gravidade pode ser maior ou menor, sendo que, normalmente, as crianças costumam ter quadros mais leves e adultos podem ter quadros mais graves podendo levar a falência do fígado até mesmo com necessidade de transplante de urgência.
As hepatites crônicas, normalmente são assintomáticas durante as primeiras décadas. O processo inflamatório crônico aos poucos vai levando a destruição das células do fígado, que serão substituídas aos poucos por fibrose cicatricial, com o paciente evoluindo para um quadro de cirrose e insuficiência hepática crônica, quando aparecerão os primeiros sintomas.
O vírus da Hepatite A (VHA) provoca somente quadro agudo de maior ou menor gravidade. Pode ser prevenido através de vacina, que está indicada com 1 ano e 3 meses de idade. A transmissão da doença é fecal-oral, isto é ingesta de água ou alimentos contaminados por fezes oriundas de pessoas contaminadas. Graças a vacinação e a melhora no saneamento está cada vez mais incomum.
O vírus da Hepatite B (VHB) costuma provocar uma fase aguda assintomática ou muito pouco sintomática. Seu diagnóstico muitas vezes acontece por acaso em um check-up ou no momento da doação de sangue. Pode apresentar uma forma crônica ativa, isto é, com lenta evolução para cirrose e/ou câncer no fígado. Outra apresentação é a crônica persistente, aonde a agressão no fígado é muito pequena e raramente evolui para formas mais graves. No caso das formas mais ativas, há tratamento antiviral específico. Sua prevenção é através de vacina uma dose em formulação isolada ao nascimento e doses aos 2, 4 e 6 meses de vida. Sua transmissão se dá por contato sexual, contato com sangue contaminado e da mãe para o filho no canal de parto. Graças a vacinação, está se tornando cada vez menos comum
O vírus da Hepatite C (VHC) não costuma provocar fase aguda. Evolui com maior gravidade do que o VHB podendo evoluir mais rapidamente para cirrose e câncer do fígado. Existe tratamento medicamentoso, mas não existe vacina. A transmissão se dá por contato sexual, ou por sangue. Muitos pacientes contaminados não sabem como adquiriram. Sua prevalência está aumentando.
O Vírus Delta, é pouco comum no Brasil, exceto no norte da Amazônia. Este vírus é um parasita do VHB. Quando o paciente adquire os dois ao mesmo tempo, fará uma hepatite crônica ativa mais rápida e grave do que o VHB. Caso o paciente já seja portador do VHB quando adquire o Vírus Delta, ele terá uma hepatite aguda extremamente grave, muitas vezes fatal. Não há tratamento antiviral nem vacina.
O Vírus da Hepatite E é incomum no Brasil, sendo mais comum no sudeste asiático. Sua transmissão e evolução são idênticas ao VHA
Texto por Dr. Marcelo Neubauer | Infectologista e Médico Acupunturista