Canetas emagrecedoras proibidas acendem alerta para risco no coração
- Redação Saúde Minuto
- 08/05/2026
- Cardiologia Saúde
A proibição das canetas emagrecedoras Gluconex e Tirzedral pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária colocou um novo alerta no radar de quem busca perder peso rápido. Vendidos como injetáveis com efeito parecido ao dos análogos de GLP-1, os produtos não têm registro no Brasil e ainda levantam uma preocupação importante: ninguém sabe exatamente o que tem dentro deles.
E é aí que mora o perigo.
Sem controle sobre a composição e a qualidade, o uso desses medicamentos pode trazer efeitos imprevisíveis especialmente para o coração.
Para o cardiologista Ricardo Ferreira, o maior risco está justamente nessa falta de informação. “Quando não sabemos exatamente o que está sendo administrado, não conseguimos prever como o organismo vai reagir, principalmente o sistema cardiovascular”, explica.
Segundo o especialista, substâncias com ação metabólica podem mexer diretamente com o funcionamento do coração, alterando pressão arterial, frequência cardíaca e até o ritmo dos batimentos. “Produtos irregulares podem desencadear arritmias, oscilações de pressão e outros efeitos que, em alguns casos, podem ser graves”, alerta.
Outro ponto que preocupa é o uso sem orientação médica. Com a facilidade de compra pela internet, muita gente acaba recorrendo a essas “soluções rápidas” sem passar por avaliação adequada.
“O problema é que, mesmo medicamentos aprovados, exigem acompanhamento. No caso de produtos ilegais, o risco é ainda maior, porque não há garantia de dose, pureza ou estabilidade”, reforça o médico.
Além disso, o uso indiscriminado pode enganar. A perda de peso pode até acontecer, mas isso não significa, necessariamente, mais saúde. “A pessoa emagrece e acredita que está melhor, mas pode estar expondo o corpo a riscos silenciosos, inclusive cardiovasculares”, diz.
A orientação é direta: evitar qualquer medicamento sem registro e sempre buscar avaliação médica antes de iniciar tratamentos para emagrecimento.
A própria Anvisa reforça que produtos irregulares não devem ser utilizados em nenhuma hipótese e orienta a denunciar a comercialização ilegal.
Texto por Dr. Ricardo Ferreira