Como as emoções influenciam na dilatação da pupila?
- Fabricio Colli
- 15/01/2025
- Curiosidades
“Os olhos são a janela da alma”, como já dizia o poeta americano Edgar Allan Poe. Quando sentimos fortes emoções, percebemos os impactos desses sentimentos em nossos olhos, mas como isso pode ser explicado cientificamente?
Segundo a Dra Clarissa Pereira, médica oftalmologista, especialista em glaucoma e neuro-oftalmologia, as emoções afetam o Sistema Nervoso Autônomo. Esse sistema é o principal responsável pelo controle automático das nossas funções corporais frente às modificações do ambiente. O estresse ou a ansiedade vão estimular a via simpática do SNA, atuando no músculo dilatador da íris. Assim, dilatando a pupila, processo conhecido tecnicamente como midríase.
Através desse mecanismo, podemos observar os olhos como um reflexo ao exterior das emoções que sentimos.
“As situações que enfrentamos cotidianamente provocam emoções, como ansiedade ou tristeza, que vão ativar automaticamente a via simpática ou a via parassimpática do Sistema Nervoso Autônomo.” – Esclarece a Dra. Clarissa – “Cada uma dessas vias tem um papel no funcionamento da pupila: a simpática causa dilatação pupilar, chamada midríase, e a parassimpática provoca constrição da pupila, a miose.”
Toda vez que há um pico de adrenalina, como em situações de medo ou surpresa, o Sistema Nervoso Simpático é ativado automaticamente, o que resulta na dilatação da pupila. Isso é uma resposta fisiológica adaptativa do nosso organismo para nos preparar para momentos em que nos sentimos ameaçados por algo.
As emoções podem ter efeitos na pupila apenas de forma passageira, no momento em que passamos por essas sensações. As mudanças no tamanho da pupila relacionadas às emoções costumam ser fugazes e passar rápido, com a pupila voltando ao tamanho normal em seguida.
É muito importante fazermos uma diferenciação: a dilatação da pupila associada às emoções ocorre simultaneamente nos dois olhos, tem duração limitada e não afeta a qualidade da visão, nem outras funções oculares.
Já alguns distúrbios neurológicos e glaucoma costumam causar dilatação pupilar unilateral, o que provoca uma assimetria entre as pupilas, conhecida como anisocoria. Além disso, esses casos também podem vir associados a outros sintomas, como dor nos olhos, visão turva, queda da pálpebra ou desvio ocular. “Caso apresente esses sintomas ou em caso de dúvida, sempre procure atendimento oftalmológico de urgência”, indica a especialista.
Profissional consultada: Dra Clarissa Pereira, médica oftalmologista, especialista em glaucoma e neuro-oftalmologia pela USP