Conheça o Linfoma de Hodgkin, doença que afeta Eduardo Suplicy
- Redação Saúde Minuto
- 28/10/2024
- Podcast Saúde
“Hoje nos deparamos com a notícia da doença chamada linfoma de Hodgkin do Eduardo Suplicy. Eu sou o doutor Fábio Martim, médico hematologista e hemoterapeuta, também patologista clínico, membro da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, doutor em hematologia pela Universidade Federal de São Paulo. Os linfomas são divididos em dois grandes grupos, os linfomas não Hodgkin e os linfomas de Hodgkin. O linfoma não Hodgkin é o sexto tipo de câncer mais comum nos Estados Unidos e representa 4% de todos os novos tumores nos Estados Unidos a cada ano.
Dados estatísticos levam ao diagnóstico de 80 mil novos casos todos os anos. O linfoma é o nome dado ao câncer do sistema linfático. O câncer é definido pelos médicos como sendo o crescimento anormal e acelerado de uma célula não saudável. Quando essa célula se reproduz continuamente no sistema linfático, o paciente é diagnosticado com linfoma ou câncer do sistema linfático.
O linfoma surge e afeta as diferentes estruturas e células que compõem o sistema linfático, incluindo células que fazem parte do sistema de defesa do organismo, que são os infóssitos B e os infóssitos T, que são os leucócitos ou os glóbulos brancos. Para saber qual tipo de linfoma, é necessário fazer a biopsia desse gangre para o diagnóstico. Lembrando que, apesar de ter características parecidas, é importante não confundir o linfoma com a leucemia. Dentre as principais causas do linfoma não Hodgkin é a idade. paciente acima de 60 anos tem um risco maior do desenvolvimento do linfoma.
Também estudos correlacionam infecções virais e bacterianas como HIV, o HTLV e tipos variados de hepatite e o Helicobacter pylori, que fica lá no estômago. Por fim, condições que afetam a imunidade do paciente como doenças autoimunes, como lupus, podem também aumentar as chances de desenvolvimento de linfoma. Outra coisa bastante importante é o contato com produtos químicos de alta periculosidade, como em atividades laborais e industriais, também pode aumentar essa chance do desenvolvimento do linfoma, por isso que é muito importante quem manuseia e tem contato com produto químico usar os equipamentos de proteção individual.
Dentre os sintomas mais comum é o surgimento de caroços ou ínguas que popularmente a gente chama em locais como virilha, pescoço e axila, que são os linfonodos aumentados. Outros sintomas, dependendo do estágio da doença, podem também estar, como a febre durante a noite, a perda de peso, anemia e alterações sanguíneas no hemograma, cansaço excessivo, mal-estar, coceira pelo corpo, falta de ar e tosse podem ser outros sintomas presentes também no linfoma. O tratamento hoje é bastante complexo, dependendo de cada subgrupo e subtipo de linfoma. Isso vai depender também do número de ciclos de quimioterapia através do estadiamento da doença, que é onde que a gente constata onde que está comprometido esse paciente com a doença. Geralmente não são feitos procedimentos cirúrgicos para tratar linfoma, mas sim tratamentos com quimioterapia, radioterapia e mais eficazmente o tratamento com imunoterapia com uma boa resposta, uma excelente resposta ao tratamento desses doentes.
Fica a minha dica: alguma alteração de caroços, ínguas ou linfonodos aumentados sem constatação de infecção por infecção viral, procure o hematologista, veja direitinho pra fazer o diagnóstico precoce. O diagnóstico precoce é a melhor forma de tratar a doença.”
Texto transcrito e retirado de entrevista com o Dr. Fábio de Oliveira Martin, especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e doutor na mesma área pela Universidade Federal de São Paulo.