Hábitos que prejudicam seus quadris: O que realmente causa dor e lesões?
- Redação Saúde Minuto
- 05/12/2025
- Ortopedia Saúde
Para esclarecer essas dúvidas e desfazer mitos bastante comuns sobre a saúde do quadril, conversamos com o Dr. Marcos Giordano, ortopedista e cirurgião do quadril, formado pela Faculdade de Medicina da UFRJ, presidente da Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ) no biênio 2024–2025, chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG) – RJ e líder dos Grupos de Cirurgia do Quadril e de Cirurgia do Trauma da instituição.
Na entrevista, ele detalha quais fatores realmente comprometem a saúde do quadril, como reconhecer sinais de alerta, quais exames garantem um diagnóstico preciso e quais são as estratégias mais eficazes para prevenção e tratamento.
1. O uso frequente de salto alto pode causar desgaste no quadril?
O uso contínuo de salto alto gera sobrecarga nas articulações do quadril, pois altera a postura e o equilíbrio corporal. Essa mudança aumenta a pressão e o risco de desgaste articular, podendo contribuir para dores crônicas, bursite e osteoartrose.
A modificação do centro de gravidade também pode causar instabilidade e elevar o risco de lesões. Saltos muito altos e o uso prolongado agravam o problema.
Recomendação: optar por saltos mais baixos e confortáveis para prevenir complicações a longo prazo.
2. Correr acelera o desgaste da articulação do quadril?
Quando praticada com orientação e preparo muscular adequado, a corrida não acelera o desgaste do quadril. A atividade pode até proteger a cartilagem e fortalecer a articulação.
Por outro lado, volumes muito elevados — como mais de 90 km por semana — podem aumentar o risco de osteoartrose.
Cuidados essenciais: fortalecimento do core, glúteos e coxas, além de descanso adequado.
3. Deficiência de cálcio e vitamina D pode acelerar a degeneração do quadril?
Sim. A falta de cálcio e vitamina D compromete a densidade óssea, favorecendo osteopenia e osteoporose.
A vitamina D é essencial para a absorção do cálcio, e sua deficiência aumenta o risco de fraturas e deterioração da cartilagem articular.
Suplementação adequada pode melhorar a qualidade óssea e reduzir sintomas da degeneração do quadril.
4. Como a menopausa afeta a saúde do quadril?
A queda dos níveis de estrogênio na menopausa provoca perda de densidade óssea, maior risco de osteoporose e, consequentemente, de fraturas do quadril.
Além disso, inflamação e rigidez articular tendem a aumentar, contribuindo para dor e limitação de movimento.
Atividade física, alimentação adequada e reposição hormonal (quando indicada) ajudam a minimizar esses efeitos.
5. Relação entre osteoporose e fraturas de quadril
A osteoporose reduz a densidade óssea e prejudica a microarquitetura do osso, tornando-o mais frágil. Isso aumenta o risco de fraturas, especialmente em idosos.
Essas fraturas costumam ser graves, pois podem levar à imobilidade, dependência e aumento da mortalidade.
Prevenção, diagnóstico precoce e cuidado com quedas são fundamentais.
6. Infiltrações no quadril funcionam?
As infiltrações são eficazes para alívio da dor e melhora da mobilidade em casos de artrose inicial a moderada, bursite trocantérica e tendinites resistentes a outros tratamentos.
Elas reduzem a inflamação local e podem utilizar corticosteroides ou ácido hialurônico.
Porém, não curam a doença e infiltrações repetidas de corticoide podem prejudicar a cartilagem.
Em casos avançados, deixam de ser eficazes e a cirurgia pode ser necessária.
7. A acupuntura ajuda no alívio da dor no quadril?
A acupuntura pode ser útil como terapia complementar para alívio da dor e melhora da mobilidade, especialmente em quadros de osteoartrose.
Ela reduz o uso de analgésicos e modula a dor com poucos efeitos adversos.
Entretanto, a evidência para longo prazo é limitada e a técnica não substitui tratamentos convencionais.
8. Incidência de problemas no quadril: homens x mulheres
No Brasil, as mulheres têm maior incidência de problemas no quadril, especialmente fraturas: cerca de 27,7 casos por 10 mil acima de 60 anos, contra 13 por 10 mil entre homens.
Elas representam aproximadamente 68% das internações por fraturas de quadril, devido à maior prevalência de osteoporose, menor pico de massa óssea e perda acelerada no pós-menopausa.
Apesar de terem menor incidência, os homens apresentam maior mortalidade pós-fratura.
9. Exercícios que mais sobrecarregam o quadril
Devem ser evitados por pessoas com dor ou desgaste articular:
-
esportes de alto impacto (futebol, vôlei, basquete);
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agachamentos profundos, leg press e levantamento terra;
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alongamento borboleta (rotação externa forçada);
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exercícios explosivos;
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abdominais com torção do quadril (oblíquos e bicicleta).
O acompanhamento profissional é sempre recomendado.
10. Gestação pode agravar problemas no quadril?
Sim. A ação da relaxina aumenta a frouxidão ligamentar, diminuindo a estabilidade articular.
O ganho de peso e a mudança do centro de gravidade também elevam a sobrecarga no quadril.
Há ainda o risco de osteoporose transitória da gestação.
Gestantes devem observar dores persistentes, evitar posturas prolongadas e manter atividade física leve, com orientação médica.
11. Quem tem desgaste ou dor no quadril pode se exercitar?
Pode — e deve.
Exercícios recomendados incluem:
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alongamentos leves;
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fortalecimento do core e abdutores;
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hidroginástica e natação;
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caminhadas leves.
Atividades de baixo impacto ajudam a manter mobilidade e reduzir dor. É essencial respeitar limites e evitar movimentos que causem dor aguda.
12. Quando a cirurgia do quadril é indicada?
A cirurgia é indicada quando há desgaste avançado, dor intensa que limita atividades e falha dos tratamentos conservadores.
Opções modernas e menos invasivas incluem:
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artroscopia do quadril, com recuperação rápida;
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artroplastia total minimamente invasiva, que preserva músculos e acelera a reabilitação.
A escolha depende da avaliação clínica e do quadro do paciente.
Texto de: Dr. Marcos Giordano