Infarto: estudo revela estratégia que pode ajudar médicos a decidir quais artérias precisam ser tratadas
- Redação Saúde Minuto
- 08/09/2026
- Cardiologia Saúde
Pesquisa com mais de 1,8 mil pacientes mostra que avaliar quais obstruções realmente prejudicam a circulação pode tornar o tratamento mais preciso e reduzir novos problemas cardiovasculares
Quando uma pessoa sofre um infarto, a prioridade dos médicos é desobstruir o mais rápido possível a artéria que interrompeu a passagem do sangue para o coração. É a conhecida angioplastia, procedimento realizado por cateter que pode salvar a vida do paciente.
Mas existe uma situação bastante comum: ao examinar o coração, o médico descobre que não há apenas uma artéria comprometida. Existem outras obstruções.
E surge uma dúvida importante: é preciso tratar todas elas?
Um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine, uma das principais revistas médicas do mundo, traz informações importantes para ajudar nessa decisão.
A pesquisa acompanhou 1.823 pacientes que sofreram um tipo grave de infarto e tinham obstruções em mais de uma artéria do coração. Depois de tratar a artéria responsável pelo infarto, os pesquisadores compararam duas maneiras de decidir o que fazer com as demais obstruções.
Em um grupo, os médicos avaliaram principalmente o que aparecia nas imagens do exame. No outro, utilizaram uma tecnologia capaz de avaliar também se aquela obstrução estava realmente dificultando a passagem do sangue.
A diferença pode ser explicada de maneira simples: não basta saber se existe uma artéria estreita. É importante descobrir se aquele estreitamento realmente está prejudicando a circulação do sangue para o coração.
Depois de aproximadamente um ano e meio de acompanhamento, 8,9% dos pacientes avaliados pela estratégia mais precisa tiveram um dos problemas cardiovasculares analisados pelo estudo, contra 13,7% daqueles avaliados da maneira convencional.
Na prática, isso representou uma redução relativa de 38% no risco combinado de morte, novo infarto, AVC ou necessidade de outro procedimento para restabelecer a circulação do coração.
O estudo também encontrou menos complicações importantes relacionadas ao procedimento: 4,6% contra 7,1%.
Os números sugerem que conhecer melhor a importância de cada obstrução pode ajudar o médico a decidir qual artéria realmente precisa ser tratada e qual pode não necessitar de intervenção naquele momento.
O que isso significa para quem sofre um infarto?
Para a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), entidade que representa os cardiologistas intervencionistas, médicos especialistas em tratamentos cardiovasculares realizados por cateter, como a angioplastia, pesquisas como essa mostram como a medicina está tornando o tratamento do infarto cada vez mais preciso.
“Quando tratamos um infarto, o objetivo imediato é abrir a artéria obstruída, restabelecer o fluxo de sangue e, assim, preservar o coração. Mas muitos pacientes apresentam outras artérias comprometidas. Esse estudo mostra que podemos ter mais informações para decidir quais delas realmente precisam ser tratadas”, explica a Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da SBHCI.
A angioplastia revolucionou o atendimento ao infarto ao permitir que uma artéria obstruída seja aberta rapidamente, restabelecendo a passagem do sangue para o coração. Agora, a ciência busca avançar também em outra questão: quais das demais obstruções encontradas realmente precisam de intervenção.
Para o paciente, essa evolução significa a possibilidade de um tratamento mais personalizado, evitando procedimentos desnecessários sem deixar de tratar obstruções que realmente representam risco.
“A utilização de imagens e de novas tecnologias é, sem dúvida, uma ferramenta importante no tratamento do infarto. Hoje, temos recursos que nos permitem avaliar cada caso com maior precisão, e isso faz toda a diferença na hora de definir a conduta mais indicada para aquele paciente”, afirma a Dra. Denise Pellegrini.
Texto por: Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da SBHCI

