Nem todo lugar é igual: escolha o local certo para sua mamografia
- Redação Saúde Minuto
- 16/11/2025
- Ginecologia Saúde
A investigação do câncer de mama, para muitas mulheres, se transforma em um verdadeiro calvário. Desde o momento em que surge a necessidade de fazer a mamografia, cada passo é vivido com ansiedade, medo e a sensação de caminhar sem saber exatamente onde pisar. É um processo delicado, que mexe com o emocional e exige confiança total no serviço escolhido. Agora, o que muitas pacientes não sabem é que nem todo laboratório ou hospital oferece a mesma qualidade, e falhas podem acontecer. Equipamentos desatualizados, equipe pouco especializada ou protocolos frágeis podem atrasar diagnósticos importantes ou provocar sustos desnecessários. Em um momento tão sensível, isso pesa ainda mais.
Para ajudar as mulheres a atravessar essa etapa com mais segurança e clareza, Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da ONA – Organização Nacional de Acreditação, responde nesta entrevista tudo que é essencial saber na hora de escolher onde realizar a mamografia e outros exames de imagens. Ela explica quais critérios avaliar, como pesquisar sobre o serviço e a equipe, que certificações identificar e o que diferencia um atendimento realmente seguro de um arriscado. É sobre transformar angústia em informação e devolver para a mulher o protagonismo do próprio cuidado.
O que observar ao escolher onde fazer mamografia/US de mamas?
São várias situações que devem ser observadas, como:
- Qualidade e regulação: serviço participante de Programas de Qualidade e Acreditação e que esteja adequado com as legislações;
- Equipe: radiologistas com atuação em mama, dupla leitura quando possível, técnicos treinados e reciclagem contínua;
- Tecnologia: mamografia digital e ultrassom de alta resolução com manutenção documentada;
- Processo clínico: compara exames atuais com estudos anteriores, protocolo para casos com mamas densas e via de encaminhamento ágil para biópsia quando indicado.
É importante que o local tenha boas práticas, como: rotinas formais de controles diários, registros de manutenção, auditorias internas e externas, programas de qualidade, certificação ou acreditação.
Certificações/selos/acreditações que indicam padrões?
A certificação da ONA (Organização Nacional de Acreditação) é um dos principais referenciais de qualidade e segurança que um serviço de diagnóstico por imagem pode obter no Brasil, pois avalia de forma ampla e integrada todos os processos que envolvem o atendimento ao paciente e a confiabilidade dos resultados.
Durante o processo de acreditação, a ONA analisa desde o perfil dos pacientes atendidos até a gestão de riscos assistenciais, verificando se há protocolos específicos para populações vulneráveis, como gestantes, idosos e pacientes oncológicos. Também são avaliados a estrutura física e tecnológica, incluindo manutenção e calibração periódica dos equipamentos de imagem, a segurança radiológica e a rastreabilidade das exposições, bem como o cumprimento das normas da Anvisa e da CNEN.
Outro ponto essencial é a capacitação da equipe multiprofissional, que deve comprovar formação, atualização e treinamentos contínuos em qualidade, segurança e humanização do atendimento. A ONA examina ainda a existência e aplicação de protocolos clínicos e operacionais padronizados, como o uso correto do sistema BI-RADS em mamografias, o registro de laudos com clareza diagnóstica e a dupla leitura de exames quando indicada.
Além disso, verifica a gestão dos indicadores de desempenho e de eventos adversos, o monitoramento da satisfação e da experiência dos pacientes, e as ações de melhoria contínua implementadas pela organização.
Essa visão sistêmica garante que o serviço não apenas tenha equipamentos modernos, mas também opere com processos seguros, equipe competente, cultura de qualidade e foco no cuidado integral da mulher, assegurando precisão diagnóstica e confiança nos resultados.
Como confirmar que o local cumpre protocolos?
Para confirmar se o local onde pretende realizar o exame de mama cumpre de fato protocolos de segurança, manutenção dos equipamentos e capacitação da equipe técnica, é fundamental observar evidências objetivas de qualidade, transparência e comprometimento institucional.
Um serviço confiável, geralmente, possui certificações ou acreditações reconhecidas, como a Acreditação ONA ou o Programa de Qualidade em Mamografia (PQM/INCA), que atestam a adesão a padrões rigorosos de controle técnico e assistencial. Além disso, é essencial que a clínica mantenha registros atualizados de manutenção preventiva e calibração de todos os equipamentos de imagem, assegurando conformidade com as normas da Anvisa e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
A capacitação contínua da equipe também deve ser verificada, incluindo comprovação de formação específica, atualização profissional, participação em treinamentos de proteção radiológica e protocolos de segurança do paciente. Serviços comprometidos com a qualidade mantêm protocolos clínicos e operacionais formalizados, garantindo identificação correta do paciente, checagem de exames anteriores, padronização da leitura (como o uso do BI-RADS) e encaminhamento rápido de casos suspeitos.
Outro indicador importante é a transparência na divulgação de resultados institucionais, como índices de satisfação, eventos adversos, auditorias e planos de melhoria contínua, informações que podem ser consultadas em relatórios públicos ou apresentadas mediante solicitação.
Em resumo, a combinação entre certificações reconhecidas, documentação técnica, equipe qualificada e gestão transparente é a melhor forma de assegurar que o serviço cumpre protocolos sólidos de qualidade e segurança, oferecendo exames precisos, confiáveis e realizados em um ambiente ético e controlado.
O que deve constar em um laudo de mamografia?
Um laudo de mamografia deve apresentar informações completas, claras e padronizadas, seguindo as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os elementos essenciais, devem constar o padrão de resultado conforme as normas estabelecidas, a descrição da densidade mamária, a indicação clínica do exame (motivo do pedido), a técnica utilizada, comparação com exames anteriores, sempre que disponível.
Além desses itens, cada organização pode incluir informações complementares definidas em seus protocolos internos de qualidade, como observações sobre limitações técnicas, achados incidentais ou orientações específicas à paciente, garantindo assim um relatório diagnóstico completo, padronizado e de fácil compreensão.
Erros comuns ao escolher o local e como evitar?
São necessários alguns cuidados, como: não considerar os critérios de qualidade, tomar a decisão somente pelo preço, não considerar o acolhimento e atendimento do serviço, dentre outros. São alguns erros comuns que acontecem.
Como a tecnologia ajuda na detecção precoce e reduz falsos?
Tende a reduzir recalls e falsos-positivos em vários cenários de rastreamento. Padronização dos resultados com melhoria da comunicação e acompanhamento. Diretrizes atualizadas reforçam início de rastreio a partir de uma determinada idade, favorecendo detecção mais precoce.
IA na leitura dos exames: aplicações e benefícios reais?
A dupla leitura assistida por IA pode aumentar a detecção sem elevar o recall em programas populacionais, em implementação no mundo real. Existem diversos algoritmos aprovados, mas adoção é variável e requer integração e supervisão clínica.
Toda IA é igual? Como reconhecer soluções validadas e seguras?
Não. Procure registro regulatório aplicável ao país. Evidências: estudos clínicos revisados por pares e resultados em cenários reais (não só retrospectivos). Transparência: indicação de uso, limitações, fluxo de supervisão por radiologista e política de monitoramento/atualização do algoritmo.
O que mudou no acompanhamento e tratamento com a tecnologia/IA?
Rastreamento mais personalizado (considerando densidade e risco), com IA apoiando triagem e priorização de casos suspeitos. Fluxos mais eficientes: IA como “segundo leitor” reduz carga de trabalho e pode acelerar o tempo até diagnóstico. Decisões mais bem informadas: laudos padronizados e notificação de densidade dão base para discutir exames complementares (US/RM) quando necessários.
Texto de: Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da ONA (Organização Nacional de Acreditação).