Por que as mulheres vivem mais do que os homens?
- Rafaela Navarro
- 27/02/2025
- Bem-estar Pesquisa Saúde
Entendendo essa diferença, cientistas esperam melhorar a expectativa e a qualidade de vida de ambos os sexos.
Um estudo da National Center for Health Statistics aponta que as mulheres superam os homens em longevidade por uma margem significativa. Nos Estados Unidos, por exemplo, a expectativa de vida feminina chega a 80 anos, enquanto a masculina é cerca de cinco anos menor, alcançando os 75 anos.
Essa diferença persiste independentemente de classe social, localização geográfica ou outros fatores, e se estende até mesmo a alguns outros mamíferos.
As razões para esse fenômeno são complexas e ainda não totalmente compreendidas. Além disso, viver mais não significa necessariamente viver melhor. As mulheres, apesar de sua maior longevidade, passam menos tempo em boa saúde em comparação aos homens. Elas tendem a ser mais frágeis na velhice e, após a menopausa, têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares e Alzheimer.
Diante disso, cientistas buscam entender o que torna cada sexo mais vulnerável para, assim, melhorar a qualidade de vida de ambos.
Genética
Pesquisas sugerem que os cromossomos XX influenciam a longevidade. Um estudo conduzido em 2018 pelo Dr. Dena Dubal, professor de neurologia na University of California, São Francisco, analisou ratos de laboratório com diferentes combinações de cromossomos e órgãos reprodutores. Os animais com dois cromossomos X e ovários viveram mais, seguidos pelos que tinham dois cromossomos X e testículos. Já os ratos com cromossomos XY tiveram as vidas mais curtas.
Embora esses estudos ainda não tenham sido realizados em humanos, os pesquisadores acreditam que, devido às semelhanças genéticas e hormonais, os resultados podem ser semelhantes.
Hormônios
Outro fator relevante é o estrogênio, especialmente no que diz respeito à imunidade. Antes da menopausa, o sistema imunológico das mulheres tende a ser mais eficiente do que o dos homens. Além disso, indivíduos do sexo masculino geralmente reagem de forma mais negativa a infecções.
Um estudo conduzido em 2017 pela National Library of Medicine revelou que mulheres que entram na menopausa mais tarde (após os 50 anos) tendem a viver mais do que aquelas que passam por essa transição precocemente. A queda dos níveis de estrogênio, como ocorre na menopausa, compromete o sistema imunológico feminino, tornando-as mais suscetíveis a doenças.
Estilo de vida
Os hábitos de vida também desempenham um papel fundamental na longevidade. De maneira geral, as mulheres são menos propensas a fumar ou consumir álcool em excesso — fatores que impactam diretamente na expectativa de vida.
Elas também adotam mais medidas preventivas, como o uso do cinto de segurança e a realização de consultas médicas regulares. Além disso, costumam socializar mais, o que reduz os efeitos negativos da solidão.
Um estudo de 2023 apontou que homens têm maior probabilidade de morrer por overdose de drogas ou suicídio.
Fatores externos
Analisando um contexto social mais amplo, outros fatores que contribuem para a maior mortalidade masculina incluem a exposição à violência armada e a participação em guerras.
Durante a pandemia de Covid-19, a maioria das mortes também foi de homens, principalmente porque muitos trabalhavam em setores que os expunham mais ao vírus, como construção civil e manuseio de alimentos. Além disso, taxas mais altas de situação de rua e encarceramento aumentam sua vulnerabilidade.
São muitos os fatores que influenciam a longevidade. Embora esteja claro que um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e atividade física tenham impacto positivo, ainda não há uma fórmula definitiva para prolongar a vida de maneira significativa.
Texto por: Rafaela Navarro | Redação Saúde Minuto