Saúde por ELAS
Do cenário atual até reflexões sobre o passado, três mulheres que lidam diariamente com a saúde compartilham suas visões e apostas para o futuro
Vivendo em meio a uma pandemia desde o início de 2020, o número de mortes por Covid-19 só no Brasil já ultrapassou meio milhão e junto a isso, acompanhamos reflexões, debates e mudanças de comportamento acontecer em nossa sociedade.
O Saúde Minuto convidou uma infectologista, a superintendente de um instituto que apoia iniciativas com impacto social na saúde e a diretora geral de uma multinacional do ramo de dispositivos médicos para fazer um balanço de tudo o que estamos passando. O que será que essas importantes mulheres têm a nos dizer?
O primeiro caso de coronavírus no país foi registrado em 26 de fevereiro do ano passado e, a partir deste momento, o incentivo aos cuidados básicos como lavagem correta das mãos, uso de álcool em gel e distanciamento social começaram a ser intensificados (posteriormente, a Organização Mundial da Saúde incluiu também a recomendação do uso de máscara, hoje, obrigatória em locais públicos no Brasil).
A água é um dos principais recursos para a manutenção da saúde, segundo Áurea Barros, superintendente executiva do Instituto SAB, a pandemia agravou as desigualdades sociais, mostrando como temos acessos diferentes à informação, emprego e, principalmente aos cuidados de modo geral e a própria saúde.
O saneamento básico, por exemplo, ainda é um assunto a ser tratado no país, que conta com 100 milhões de brasileiros que não possuem sistema de esgoto sanitário e 35 milhões que não têm acesso à água tratada, de acordo com estudo do Instituto Trata Brasil feito com base nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Atualmente, existem 39 obras de saneamento básico em andamento na região do semiárido brasileiro, mas a falta de verba pode impedir a continuidade, segundo dados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), empresa vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Dentre os estados que seriam beneficiados estão Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Piauí, Pernambuco, Maranhão e Sergipe.
Áurea destaca que a pandemia e o aumento da desigualdade também mostraram nossas dificuldades com os fatores determinantes sociais da saúde, “ou seja, vida e trabalho, renda e disponibilidade de alimentos, que são barreiras para a adoção de um estilo de vida saudável que devem quebradas por nós”.
O Instituto SAB atua na promoção da saúde, apoiando iniciativas e também seguindo como estratégia a adoção de parcerias, “através do fortalecimento, reconhecimento e criação de novas ações, nós podemos ajudar as iniciativas e as pessoas mostrando que elas devem compreender o valor da solidariedade e senso de interdependência que temos com o outro”, ressalta a diretora.
Essa solidariedade também foi destacada pela infectologista Raquel Muarrek, que acredita que a pandemia também resultou em uma atenção maior à nossa família, nossa vida, responsabilidade social e o impacto familiar. “Prestamos atenção ao mundo e a todos os problemas, não só de saúde, mas de convivência também”, ressalta.
Questionada sobre o que esse momento tem a nos dizer sobre a ciência, a médica afirma que, além de ser fundamental para sairmos desse cenário, somente ela pode nos levar à convivência mundial. “O entendimento da doença, como tratá-la, como devemos nos cuidar e como cuidar do próximo, tudo é algo que somente a ciência vai nos ajudar a melhorar a nossa sobrevivência”.
Por outro lado, a ciência está ligada também a investimentos e avanços na tecnologia. Com operações iniciadas no Brasil em 2018, a chinesa MicroPort investiu U$ 10 milhões no país e promete oferecer soluções com melhor custo-benefício na linha de dispositivos cardiológicos.
O valor é significativo e a chegada da empresa por aqui também, visto que, de acordo com dados do Cardiômetro, indicador de mortes por doenças cardiovasculares no país criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a cada 90 segundos um brasileiro morre devido a doenças ligadas ao coração ou à circulação.
Mirangela Machado, diretora geral da subsidiária brasileira, lembra que a multinacional tem 12 unidades de negócios e desenvolve tecnologias para o tratamento de mais de 90 doenças. “O nosso diferencial, e também nossa missão, é associar o que temos de melhor em tecnologia e inovação para oferecer produtos de qualidade, mas com custo efetivo”, afirma.
A diretora geral ainda lembra que dados indicam que até 75% da população brasileira depende do SUS, “unindo o sistema de saúde com indústrias que realmente queiram contribuir, tanto com os gestores quanto os médicos, poderemos oferecer uma saúde de alta qualidade”, disse Mirangela, que acredita que parcerias de longo prazo com empresas como a MicroPort contribuiriam para oferecer produtos de qualidade e tecnologia, porém, sem onerar o SUS.
Saindo do cenário nacional e falando sobre o todo, fato é que nós ressignificamos a nossa importância dada à saúde. Como disse a infectologista Raquel Muarrek, a pandemia também resultou em uma atenção maior à nossa família, nossa vida, responsabilidade social e ao impacto familiar. “Prestamos atenção ao mundo e a todos os problemas, não só de saúde, mas de convivência também”.
E foi diante de um período tão difícil como esse que aprendemos a ser solidários, acompanhar os avanços da ciência e a valorizar cada segundo de vida.
Texto por Thayná Pissaia | Redação Saúde Minuto