Secura vaginal: quando procurar ajuda profissional?
- Maria Luiza Cesario
- 26/09/2025
- Assuntos Delicados Saúde
Um tema comum, mas ainda cercado de silêncio: precisamos falar sobre ressecamento íntimo.
A vagina é um lugar naturalmente molhado, e é assim que deve ser.
Se você anda se sentindo meio “desértica” lá embaixo, pode ser um sinal de secura vaginal. Muita gente não fala sobre isso, mas acredite: é muito mais comum do que você imagina e pode acontecer em qualquer fase da vida.
O que a secura causa?
O ressecamento pode trazer dor na hora da penetração, coceira, ardência, fissuras e até deixar a região mais vulnerável a infecções. Tudo isso afeta a vida sexual, o prazer e até a autoestima.
Mas calma, amiga: não precisa entrar em pânico. O ressecamento íntimo é comum e pode ser contornado com ajuda médica e alguns cuidados.
Por que o ressecamento acontece?
A secura vaginal pode aparecer por vários motivos, alguns mais óbvios, outros que nem sempre a gente liga à região íntima.
Entre os principais estão:
- Menopausa e pós-menopausa
Durante essa fase, a produção de estrogênio cai drasticamente. Esse hormônio funciona como um “hidratante natural”, mantendo a vagina úmida e elástica. Quando os níveis ficam baixos, a lubrificação diminui, o tecido afina e a secura aparece. Além disso, as mudanças hormonais podem reduzir a libido.
- Amamentação
Muita gente não sabe, mas a amamentação também pode ressecar a região íntima. Isso acontece porque o corpo aumenta a produção de prolactina (o hormônio que estimula o leite) e reduz os níveis de estrogênio e progesterona, impactando diretamente na lubrificação.
- Ansiedade e estresse
O emocional pesa (e muito) na saúde íntima. Quando o corpo está em alerta constante, há uma queda na libido e uma menor produção de lubrificação. O estresse crônico libera hormônios que inibem a ação do estrogênio, deixando a mucosa vaginal mais seca e vulnerável.
- Medicamentos
Alguns remédios podem afetar a lubrificação vaginal:
- Antidepressivos e ansiolíticos: especialmente os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), que mexem no eixo hormonal.
- Anti-histamínicos (para alergia, resfriado ou asma): eles reduzem a ação da histamina, que ajuda a manter os tecidos hidratados, e isso pode secar até a mucosa vaginal.
- Anticoncepcionais: em alguns casos, também podem influenciar os níveis hormonais.
- Falta de estímulo sexual
O corpo precisa de excitação para produzir lubrificação natural. Quando não há estímulo suficiente, a vagina pode não se preparar direito para a penetração, gerando desconforto, dor e ainda mais ressecamento.
Essas são só algum dos motivos. Outras condições de saúde como diabetes, hipotireoidismo, infecções vaginais recorrentes e até tratamentos oncológicos (como quimioterapia e radioterapia) podem contribuir para a secura vaginal. Fora isso, pequenos hábitos também pesam: usar sabonetes agressivos, excesso de higiene íntima ou até o atrito da depilação e do absorvente.
Mas e aí, quando procurar ajuda?
A secura vaginal não, é algo que apenas o médico define. Quem percebe é você. Se os sintomas atrapalham sua vida, seu prazer ou sua autoestima, é hora de conversar com um profissional de saúde. Existem tratamentos, desde hidratantes e lubrificantes íntimos até reposição hormonal, dependendo do caso.
Falar sobre secura vaginal não é motivo de vergonha, e não deveria ser um tabu. Esse é um tema muito mais comum do que parece, mas muitas mulheres ainda sofrem em silêncio. Por isso, precisamos abrir espaço para essa conversa: trocar experiências, dividir dúvidas e entender que cuidar da saúde íntima também é cuidar de nós mesmas.
Então, amiga: se estiver com o modo Saara ativado, não normalize a dor e procure ajuda. Seu corpo fala e merece cuidado.