Sinusite não é frescura: Quando ignorar o problema pode virar um risco sério
- Redação Saúde Minuto
- 04/02/2026
- Saúde
Nariz entupido, dor no rosto, cabeça pesada e aquele catarro insistente. Muita gente convive com esses sintomas achando que é só um resfriado prolongado. Mas atenção: pode ser sinusite e, quando ela não é tratada corretamente, o problema pode ir muito além do desconforto.
A sinusite, ou rinossinusite, acontece quando os seios da face, cavidades cheias de ar localizadas ao redor do nariz, olhos e testa, ficam inflamados ou infectados. Isso dificulta a drenagem da secreção e cria o ambiente ideal para vírus, bactérias ou até fungos se multiplicarem.
Segundo o Dr. Carlos Cedin, otorrinolaringologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o erro mais comum é subestimar os sinais e tratar a sinusite por conta própria.
Nem toda dor de cabeça é sinusite, mas toda sinusite merece atenção
Dor de cabeça e pressão no rosto, sozinhas, não fecham diagnóstico. A sinusite costuma vir acompanhada de outros sinais, como nariz entupido, secreção espessa, tosse, mau hálito, alteração do olfato e sensação de mal-estar. Quando esses sintomas persistem por mais de alguns dias ou pioram, é hora de ligar o alerta.
Aguda, crônica ou recorrente: qual é a sua?
A sinusite pode ser classificada de acordo com o tempo de duração dos sintomas. A forma aguda dura até quatro semanas. A subaguda vai de quatro a doze semanas. A crônica persiste por mais de doze semanas. Já a recorrente é caracterizada por quatro ou mais episódios ao longo do ano. Quanto mais tempo sem tratamento adequado, maior o risco de complicações.
O perigo da sinusite mal curada
Quando a sinusite não é tratada corretamente, seja pela interrupção do tratamento, uso inadequado de medicamentos ou demora em procurar um especialista, a infecção pode se espalhar. Em casos mais graves, pode atingir os olhos, causar abscessos ao redor do cérebro e até evoluir para meningite. São situações raras, mas reais, que exigem atendimento médico imediato.
Descongestionante nasal não é solução
O uso frequente de descongestionantes nasais é um dos principais vilões. Apesar do alívio rápido, o uso sem orientação médica pode causar efeito rebote e levar à rinossinusite medicamentosa crônica, agravando ainda mais o problema.
Catarro verde é sempre sinal de bactéria?
Não necessariamente. A cor da secreção, sozinha, não define a gravidade nem indica obrigatoriamente o uso de antibióticos. Muitos quadros são virais ou inflamatórios e melhoram sem esse tipo de medicação. O uso inadequado de antibióticos aumenta o risco de resistência bacteriana.
Quando procurar ajuda sem demora
Alguns sinais merecem atenção especial, como sintomas que não melhoram após sete a dez dias, piora rápida do quadro, dor intensa no rosto ou ao redor dos olhos, febre persistente, inchaço ocular ou alterações na visão. Nessas situações, a avaliação com um otorrinolaringologista é fundamental.
Dá para evitar?
Em muitos casos, sim. Controlar alergias, evitar ambientes muito secos ou poluídos, manter aparelhos de ar-condicionado limpos e tratar alterações estruturais do nariz ajudam a reduzir o risco de crises. Quando o tratamento clínico não é suficiente, cirurgias endoscópicas modernas e minimamente invasivas, realizadas pelo nariz, podem ser indicadas, com alta taxa de sucesso.
Texto por: Dr. Carlos Cedin – Otorrinolaringologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo