Você joga remédio no lixo? O problema pode voltar para você na água, no solo e até nos alimentos
- Redação Saúde Minuto
- 26/05/2026
- Curiosidades
Sabe aquele antibiótico que sobrou no fundo da gaveta? Ou o remédio vencido que você joga no lixo sem pensar muito? Pois é. O destino dele pode ser bem mais assustador do que parece.
Muita gente ainda não faz ideia do que acontece com os medicamentos depois do descarte. E o problema vai muito além da bagunça doméstica. Quando comprimidos, xaropes, agulhas ou canetas injetáveis são jogados no lixo comum ou no vaso sanitário, essas substâncias podem contaminar o solo, os rios e até os sistemas de tratamento de água.
Na prática, o remédio não “desaparece”. Ele continua circulando no meio ambiente.
E isso preocupa especialistas do mundo todo.
“Estamos falando de substâncias desenvolvidas para provocar efeitos biológicos no organismo. Elas não deixam de existir simplesmente porque foram descartadas”, alerta Renata Machado Lima Donnici, especialista em compliance regulatório e ambiental.
O cenário ficou ainda mais preocupante nos últimos anos. Além dos medicamentos tradicionais esquecidos em casa, aumentou o descarte de seringas, agulhas e canetas usadas em tratamentos hormonais e metabólicos. E aí surge outro risco: acidentes e exposição a resíduos biológicos.
O mais alarmante é que a maioria das pessoas nunca recebeu orientação sobre como fazer o descarte correto.
Muita gente ainda acredita que jogar no lixo comum ou dar descarga no vaso sanitário resolve o problema. Mas não resolve. Dependendo do caso, essas substâncias podem atingir cursos d’água, interferir na fauna, contaminar o ambiente e até contribuir para problemas de saúde pública.
E existe um detalhe importante: o Brasil já possui pontos de coleta em farmácias e unidades de saúde para receber medicamentos vencidos ou em desuso. O problema é que pouca gente sabe disso.
Esse processo faz parte da chamada logística reversa, sistema que envolve fabricantes, distribuidores e pontos de coleta na destinação correta desses resíduos.
Mas, no fim das contas, tudo começa dentro de casa.
A forma como você descarta um simples comprimido também faz parte de uma cadeia ambiental gigantesca. E pequenas atitudes do dia a dia podem evitar impactos silenciosos que já estão acontecendo.
O futuro da saúde não depende apenas de novos tratamentos e tecnologias. Também depende do que fazemos com aquilo que sobra depois deles.
Texto por: Renata Machado Lima Donnici