10 fatores que aumentam o risco de infarto em mulheres
- Redação Saúde Minuto
- 06/04/2026
- Infarto Mulher Saúde
De acordo com o Ministério da Saúde, com base em dados do DATASUS, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte no Brasil, acometendo cerca de 400 mil brasileiros por ano. Nas últimas duas décadas, houve aumento significativo dos casos entre mulheres, conforme aponta o estudo Global Burden of Disease 2019, publicado na revista científica The Lancet. Esse cenário acende o alerta para os riscos e hábitos que podem elevar as chances de infarto no público feminino.
O Dr. Louis Nakayama Ohe, cardiologista e chefe da Hemodinâmica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, referência nacional e internacional em cardiologia, explica os principais fatores que aumentam o risco da doença e quais atitudes ajudam na prevenção.
O que é o infarto e como ele acontece?
O infarto agudo do miocárdio ocorre quando o fluxo de sangue que irriga o coração é bloqueado, provocando a morte das células da área afetada. Na maioria dos casos, isso acontece devido ao acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias, que podem se romper e formar coágulos, impedindo a circulação adequada.
“No grupo feminino, tanto o aumento dos casos de infarto quanto a sua apresentação mais precoce podem estar associados às mudanças na rotina das mulheres nas últimas décadas. A maior inserção no mercado de trabalho trouxe consigo elevação dos níveis de estresse, jornadas duplas ou até triplas e um acúmulo significativo de responsabilidades e cobranças, o que acaba reduzindo o tempo disponível para o autocuidado e contribuindo para maior risco cardiovascular”, explica o especialista.
Principais fatores de risco para infarto em mulheres
- Pressão alta – A pressão alta (hipertensão arterial) é um dos principais riscos para a saúde do coração das mulheres. Depois da menopausa, mudanças hormonais fazem com que as artérias fiquem mais rígidas e a pressão aumente. Com isso, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode sobrecarregar o órgão e aumentar o risco de infarto.
- Colesterol alto – O colesterol alto contribui para a formação de placas nas artérias, aumentando o risco de infarto. Durante o climatério e a menopausa, as mudanças hormonais podem alterar o funcionamento do organismo e afetar os níveis de colesterol. Nessa fase, é comum ocorrer a redução do HDL, conhecido como “colesterol bom”, responsável por ajudar a remover o excesso de gordura das artérias e levá-la de volta ao fígado para ser eliminada. Ao mesmo tempo, pode haver aumento do LDL, chamado de “colesterol ruim”, que favorece o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos.
- Diabetes – O diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento do nível de açúcar no sangue. Com o tempo, o excesso de glicose circulando na corrente sanguínea provoca inflamações e danos nas paredes dos vasos, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias e dificultando a circulação.
- Tabagismo – O impacto do cigarro sobre o coração tende a ser ainda maior nas mulheres. As substâncias tóxicas do tabaco provocam inflamação e danos nos vasos sanguíneos e aumentam a tendência à formação de coágulos. O risco se intensifica quando o tabagismo está associado ao uso de anticoncepcionais.
- Uso de anticoncepcionais – Os anticoncepcionais contêm hormônios que impedem a ovulação, mas também podem estimular a produção de substâncias ligadas à coagulação do sangue. Em mulheres com outros fatores de risco, como tabagismo ou hipertensão, aumenta a probabilidade de trombose, infarto e AVC.
- Menopausa – Após a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças importantes no organismo feminino. Esse hormônio ajuda a manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e a circulação equilibrada. Com sua queda, as artérias tendem a ficar mais rígidas e inflamadas.
- Sono – Os distúrbios do sono podem ter impacto direto no aumento de doenças cardiovasculares. Apneia Obstrutiva do Sono está relacionada ao aumento de hipertensão arterial e arritmias. A má qualidade no sono, quando crônica, pode elevar o cortisol e aumentar o estresse oxidativo.
- Sedentarismo – A falta de atividade física reduz a eficiência da circulação sanguínea e contribui para o ganho de peso e o aumento do colesterol, fatores que favorecem a obstrução dos vasos e o desencadeamento de doenças cardiovasculares.
- Estresse – A sobrecarga emocional relacionada à dupla ou tripla jornada pode elevar os níveis de estresse de forma contínua, favorecendo inflamações no organismo e hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo e sono irregular.
- Hereditariedade – O histórico familiar de doenças cardiovasculares também é um fator importante. Mulheres com parentes de primeiro grau que tiveram infarto ou outros problemas cardíacos devem manter acompanhamento médico mais precoce e atenção redobrada à saúde.
Prevenção
“Para diminuir os riscos de infarto, é fundamental manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, qualidade de sono e controle do estresse, além de evitar hábitos nocivos, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Também é essencial realizar exames de rotina para o acompanhamento da saúde do coração e do organismo”, orienta o Dr. Louis Nakayama Ohe, cardiologista e chefe da Hemodinâmica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Texto por: Dr. Louis Nakayama Ohe