Endometriose: conheça a condição
- Igor Markevich
- 25/02/2025
- Bem-estar Saúde saúde da mulher
Cólica menstrual é algo comum para muitas mulheres. Um incômodo que vem, atrapalha o dia e vai embora com um analgésico ou uma bolsa de água quente. Mas, e quando essa dor é intensa, incapacitante e parece piorar a cada ciclo? Não é frescura, também não é drama, mas pode ser endometriose — uma condição comum e muitas vezes subestimada.
O Ministério da Saúde estima que cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva tenham endometriose, mas o diagnóstico costuma demorar. Não só porque os sintomas sejam difíceis de perceber, mas porque, ainda há uma crença enraizada na sociedade de que “sentir dor faz parte da identidade feminina”. Só que não faz.
O que é a endometriose?
Para entender o que é a endometriose, é preciso entender primeiro o papel do endométrio. Todo mês, o útero se prepara para uma possível gravidez criando uma camada interna, o endométrio. Se a fecundação não acontece, essa camada é eliminada pela menstruação.
Na endometriose, esse tecido endometrial cresce do lado de fora do útero, em locais como ovários, trompas, bexiga e até no intestino em casos mais extremos. Durante o ciclo menstrual, esse tecido se comporta como o endométrio normal, ou seja, se espessa, se rompe e sangra, mas, como não tem para onde sair, gera inflamação, aderências e cistos, causando dor.
Esse processo repetido causa inflamação, aderências entre órgãos e, obviamente, dor.
Como saber se a cólica é “normal” ou endometriose?
Segundo a médica ginecologista, Simone Denise David, a cólica menstrual comum geralmente ocorre no início do ciclo menstrual e diminui ao longo dos dias. Já a endometriose causa dor mais intensa e persistente, que pode durar mais tempo, e geralmente não se limita apenas ao período menstrual. A dor pode ser sentida também durante a ovulação, nas relações sexuais ou ao evacuar e dores intensas nas costas, em especial na lombar. Para confirmar o diagnóstico de endometriose, é importante realizar exames específicos, como ultrassom, transvaginal, ressonância magnética.
- Intensidade: A cólica forte, que não melhora com analgésicos comuns e chega a impedir atividades diárias, é um sinal de alerta.
- Frequência: A dor pode aparecer não só durante a menstruação, mas também antes, depois e até fora do ciclo.
- Localização: Além da cólica no baixo ventre, a endometriose pode causar dor nas costas, nas pernas e durante as relações sexuais.
- Outros sintomas: Dificuldade para evacuar ou urinar durante a menstruação, sangramento intenso, fadiga constante e até sintomas intestinais que se confundem com a síndrome do intestino irritável.
Endometriose causa infertilidade?
Nem sempre, mas pode dificultar. As aderências causadas pelo tecido fora do lugar podem afetar a função das trompas, prejudicar a ovulação ou criar um ambiente que dificulta a implantação do embrião devido aos diversos processos inflamatórios.
Isso não significa que engravidar seja impossível. Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem gestar, seja de forma natural ou com a ajuda de técnicas de reprodução assistida.
Existem graus de endometriose?
“Nem todas as endometrioses são iguais. A doença pode variar em intensidade e localização dos focos endometriais. Ela pode afetar diferentes órgãos, como os ovários, trompas de Falópio, intestinos e bexiga, e até mesmo pulmão. Algumas mulheres têm endometriose leve, enquanto outras têm formas mais graves, com sintomas mais intensos.” É o que diz a Dra. Simone, cirurgiã ginecológica.
A endometriose é geralmente classificada em quatro estágios:
- Mínima: Pequenos focos de tecido fora do útero, geralmente sem aderências significativas.
- Leve: Focos mais profundos, mas ainda sem grandes comprometimentos anatômicos.
- Moderada: Aderências começam a se formar entre os órgãos, como ovários e trompas.
- Grave: Aderências extensas, com órgãos pélvicos “colados” e focos profundos de endometriose.
Vale apontar que, a gravidade dos sintomas nem sempre acompanha o grau da doença. Algumas mulheres com endometriose mínima sentem dores intensas, enquanto outras, mesmo com endometriose severa, têm poucos sintomas.
Tem cura? E como é o tratamento?
Para a Dra. Simone, a endometriose pode ou não ter cura, e isso vai depender de cada caso. O tratamento para a doença pode envolver desde medicamentos para controlar os sintomas, como analgésicos ou hormônios, até cirurgia para remover os focos endometriais. O tratamento depende da gravidade da doença e da idade da paciente.
As principais abordagens incluem:
- Medicamentos hormonais: anticoncepcionais, dispositivos intrauterinos com progesterona ajudam a reduzir ou até suspender a menstruação, controlando a dor.
- Analgésicos e anti-inflamatórios: aliviam os sintomas, mas não tratam a causa.
- Cirurgia: Em casos mais graves, a laparoscopia pode ser indicada para remover os focos de endometriose e as aderências.
- Mudanças no estilo de vida: exercícios físicos, alimentação anti-inflamatória e técnicas para controle do estresse podem somente complementar o tratamento.
O mais importante é lembrar que, mesmo sem cura definitiva, é possível viver bem com endometriose. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença.
Ouça o seu corpo
Se a menstruação vem acompanhada de dor incapacitante, se relações sexuais são dolorosas ou se cólicas intensas viraram parte da rotina, não ignore. Procurar um ginecologista, conversar sobre os sintomas e investigar é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida.
A dor nunca deve ser normalizada. Se o seu corpo está enviando sinais, vale a pena escutar.
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Texto por: Igor Markevich | Redação Saúde Minuto | Editado por: Rafaela Navarro