Turista tem mal subido no Cristo Redentor: entenda o caso
- Redação Saúde Minuto
- 20/03/2025
- Cardiologia Saúde Últimas notícias
O recente caso do turista gaúcho que sofreu uma parada cardiorrespiratória no Cristo Redentor e não resistiu expôs um problema grave: a falta de um desfibrilador no local e a demora no atendimento. Diante de uma parada cardíaca, cada segundo conta, e a ausência desse equipamento pode ser fatal.
Segundo o Dr. Alexsandro Fagundes, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), o uso rápido de um desfibrilador automático pode mudar completamente o desfecho de uma situação como essa. “Os desfibriladores automáticos são essenciais na luta contra a morte súbita porque mudam a abordagem da parada cardíaca. Um choque apropriado precisa ser aplicado em, no máximo, quatro minutos para evitar sequelas graves. Quando isso não acontece, as chances de sobrevivência despencam”, explica.
Atualmente, algumas leis municipais exigem que locais de grande circulação, como shoppings, aeroportos, rodoviárias e academias, tenham desfibriladores disponíveis. No entanto, pontos turísticos de grande movimento, como o Cristo Redentor, ainda não seguem esse padrão. “Ter o equipamento acessível é fundamental, mas só isso não basta. Se as pessoas não souberem usá-lo, ele se torna ineficaz. Um curso básico de suporte à vida, com algumas horas de duração, já é suficiente para capacitar qualquer pessoa a agir corretamente diante de uma parada cardíaca”, ressalta Dr. Fagundes.
Além da falta de um desfibrilador no Cristo Redentor, há outro ponto crítico: o reconhecimento da parada cardíaca e a realização das manobras corretas. “Se a pessoa perde a consciência, não responde a estímulos e não se mexe, deve-se considerar a possibilidade de uma parada cardíaca e iniciar imediatamente as compressões torácicas. Isso garante um mínimo de fluxo sanguíneo até que o socorro chegue e o desfibrilador seja aplicado”, orienta o especialista.
O medo de agir errado é um dos principais obstáculos nessas situações. “Nem toda pessoa desacordada está em parada cardíaca, mas a maioria precisa de compressões torácicas imediatas. O cérebro não aguenta mais do que quatro minutos sem oxigenação adequada. Deixar de agir por receio pode ser a diferença entre a vida e a morte”, alerta Dr. Fagundes.
O caso do turista no Cristo Redentor deixa uma lição importante: a presença de desfibriladores e a capacitação da população são essenciais para evitar novas tragédias. Se o equipamento estivesse disponível e o atendimento tivesse sido mais rápido, o desfecho poderia ter sido diferente. Garantir que mais pessoas saibam reconhecer uma parada cardíaca e agir corretamente é um passo fundamental para salvar vidas.
Profissional consultada: Alexsandro Fagundes, cardiologista arritmologista, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista (SOBRAC).
Texto por: Igor Markevich | Redação Saúde Minuto