15% dos casos de derrame são em jovens adultos, alerta estudo global
- Redação Saúde Minuto
- 26/10/2025
- Cardiologia Saúde
No Dia Mundial e Nacional de Prevenção ao AVC, celebrado em 29 de outubro, o alerta é para o aumento da incidência de acidentes vasculares cerebrais entre jovens. Segundo estudo publicado pela revista científica Neurology Journals, da American Academy of Neurology, pessoas entre 15 e 34 anos já representam 15% dos casos de AVC no mundo. No Brasil, o número sobe para 18%, conforme dados da Rede Brasil AVC.
A coordenadora da Unidade Neurológica do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Dra. Mariana Vidal, explica que, embora o “derrame” seja mais comum em idosos, o problema também pode afetar adultos jovens e até crianças. “Os dados refletem um estilo de vida pouco saudável, com aumento dos fatores de risco como hipertensão, obesidade, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas. Controlar esses fatores pode reduzir em até 90% o risco de ter um AVC”, afirma a especialista.
O sedentarismo, o uso excessivo de telas, o consumo de álcool, o cigarro e a alimentação pobre em nutrientes estão entre os principais fatores de risco. Além disso, o estresse crônico e a má qualidade do sono também contribuem para o aumento dos casos.
A médica destaca que reconhecer os sintomas e agir rapidamente é essencial. “Os sinais mais comuns são perda súbita de força ou sensibilidade em um lado do corpo, desvio da boca, fala enrolada, alterações visuais, desequilíbrio ou dor de cabeça muito intensa”, explica.
Para facilitar a identificação, a Dra. Mariana ensina o uso da sigla SAMU, que ajuda a lembrar o que fazer diante de uma suspeita:
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S – Sorria: observe se há desvio na boca;
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A – Abrace: solicite para a pessoa levantar ambos os braços e veja se há fraqueza em um lado;
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M – Mensagem ou música: solicite para repetir uma frase ou cantar, avaliando se há alteração na fala;
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U – Urgente: ligue imediatamente para o SAMU (192) e acione o socorro.
O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, seja por entupimento (AVC isquêmico) ou rompimento de um vaso (AVC hemorrágico). Sem oxigênio, as células cerebrais começam a morrer em poucos minutos, podendo causar sequelas graves, como dificuldade de fala, visão ou movimento.
Conforme o Ministério da Saúde, o AVC está entre as principais causas de morte e incapacidade no país. O tratamento rápido e a reabilitação multidisciplinar, com fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional, são fundamentais para recuperar funções e autonomia, especialmente entre jovens em fase produtiva.
“Observar os sinais e buscar ajuda médica imediata faz toda a diferença. Quanto antes o atendimento é iniciado, maiores são as chances de recuperação”, reforça a neurologista.