Como funciona o transplante de coração?
- Redação Saúde Minuto
- 29/09/2025
- Cardiologia Saúde
Atualmente, 455 pessoas aguardam por um novo coração no Brasil, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa fila é organizada por critérios rigorosos, que vão desde a gravidade da doença até a compatibilidade sanguínea e física entre doador e receptor.
No Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC) vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, referência nacional em cirurgia cardíaca, o transplante de coração é uma realidade desde 1993, quando o primeiro procedimento foi realizado. De lá para cá, já foram feitos 482 transplantes cardíacos, um marco que consolida o Instituto como um dos centros mais importantes nessa área.
Somente em 2025, até julho, já foram realizados 15 transplantes no Instituto. O recorde, porém, ocorreu em 2004, com 26 procedimentos em um único ano. O número de cirurgias, no entanto, não é fixo: depende da disponibilidade de doadores compatíveis.
Mas afinal, o que é o transplante de coração?
O procedimento é indicado para pacientes em estágio avançado de insuficiência cardíaca ou outras doenças graves, quando todas as alternativas de tratamento já se esgotaram. A cirurgia consiste na substituição de um coração doente por um órgão saudável de um doador compatível, em um processo que precisa ocorrer em até quatro horas após a retirada do coração.
O preparo para o transplante envolve avaliações médicas detalhadas, exames laboratoriais, testes de função pulmonar e até análise psicológica. Uma vez considerado elegível, o paciente é incluído na lista de espera nacional, onde a ordem é definida por fatores como gravidade, tipo sanguíneo, porte físico e localização geográfica.
No dia da cirurgia, o paciente é conectado a uma máquina de circulação extracorpórea. O coração doente é retirado e o novo órgão é implantado, reconectado aos vasos sanguíneos e, em seguida, retomando o funcionamento natural. O pós-operatório exige monitoramento intensivo, uso de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição e acompanhamento médico constante.
Segundo a Dra. Carolina Casadei – Médica responsável pela Seção de Insuficiência Cardíaca Avançada do IDPC, a maioria dos pacientes brasileiros que precisam de transplante apresenta miocardiopatia dilatada, uma condição na qual o coração cresce e perde a capacidade de bombear sangue de forma adequada. Outra causa frequente é a doença isquêmica do coração, caracterizada pelo bloqueio das artérias por placas de gordura.
Cada transplante realizado não representa apenas uma cirurgia de alta complexidade, mas uma nova chance de vida para quem convive com limitações severas impostas por doenças cardíacas. O desafio da fila de espera, contudo, mostra a importância da conscientização sobre a doação de órgãos, já que cada gesto pode significar a transformação da história de uma família inteira.