Dietas malucas em meio à Covid-19: Saiba como emagrecer de maneira saudável
- Redação Saúde Minuto
- 05/10/2021
- Nutrição Rafaella Bragiotti Saúde
Técnicas de emagrecimento sem acompanhamento médico e nutricional podem ocasionar distúrbios alimentares, potencializados na quarentena
Desde o início da pandemia, as portas de nossas casas, restaurantes, teatros e muitos outros lugares foram fechadas ao passo que portas para sentimentos e emoções negativas como ansiedade, medos e autocríticas se abriram intensamente.
Tempos de coronavírus nos forçaram a lidar com nossa individualidade em diversos aspectos. Dentre eles, a estética e beleza priorizadas, ao invés da saúde e bem-estar. Diante disso, a ansiedade desencadeada pelo confinamento nos garantiu acesso direto às portas da dispensa e com isso, à compulsão alimentar e aumento de peso.
Segundo estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, publicado pelo Portal Summit Saúde Brasil 2021 do Estadão, distúrbios alimentares aumentaram durante a pandemia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 70 milhões de pessoas sofrem em virtude deles no mundo, sendo o público feminino o mais afetado nesse contexto. É o que mostra o último levantamento até o início da pandemia.
Felizmente, com a intensificação da imunização no Brasil e no mundo, podemos dizer que, embora a pandemia ainda esteja em andamento, a quarentena quase não nos aprisiona mais. Graças às flexibilizações, começamos a sentir que a vida está voltando ao normal. Isso significa que com o verão quase batendo à porta, a atenção para os quilos ganhados durante a quarentena voltou a assumir espaço.
As mulheres representam cerca de 90% dos casos de doenças relacionadas a hábitos alimentares. A busca incansável e obsessiva pelo alcance dos padrões estéticos levam as pessoas e, principalmente, as mulheres, a tomarem medidas de emagrecimento sem embasamento e orientação médica, as chamadas “dietas malucas”.
Dieta da lua, dieta da sopa, dieta do limão… São diversas as dietas malucas. E apesar de todas serem diferentes entre si, são iguais no que tange a aleatoriedade na escolha de cada uma, em especial, na falta de critérios médicos ou pré-avaliação de saúde da pessoa que as adere. “O jejum intermitente foi muito buscado nessa quarentena”, explica a nutricionista Vanessa Lobato.
O que muitos desconhecem, segundo a nutricionista, é a existência de quatro tipos de jejuns, sendo que um dos mais seguidos é o 5:2, que se caracteriza por ser uma dieta de sete dias da semana, sendo que em cinco dias o consumo calórico é o adequado à necessidade diária da pessoa e nos outros dois, não consecutivos, a pessoa realiza uma dieta com cerca de 500 kcal. “Muitas pessoas adaptam e fazem essa dieta por uma ou mais semanas, consumindo 500 kcal todos os dias. O que vai causar consequências metabólicas como queda do metabolismo (menor gasto de energia diária), falta de nutrientes e até desidratação dependendo do caso”, continua a especialista.
A nutricionista acrescenta que as dietas líquidas não ficam de fora das maluquices perigosas e prejudiciais. “Dietas líquidas, como a dieta da sopa ou detox, em que são consumidos somente sucos ou sopas, também proporcionam pouca energia para o bom funcionamento do organismo, além de pouca proteína, e ainda pode causar flacidez”. A especialista respondeu às perguntas que mais geram dúvidas no público:
Quais dietas surgiram no pós-quarentena?
“Não digo que surgiu, mas aflorou muito o jejum intermitente e a dieta low carb (dietas baixas em carboidrato). Apareceram muitas notícias de alimentos que alcalinizam o sangue, protegendo assim contra a Covid-19. E há também a dieta cetogênica, uma dieta mais rígida quanto à diminuição de carboidratos que está em ascensão nos últimos dias”, responde Vanessa.
Posso fazer dieta sem acompanhamento médico?
De acordo com a nutricionista, é possível fazer boas mudanças alimentares sem um acompanhamento nutricional, usando a pirâmide alimentar como base ou até o guia de alimentação brasileira, entretanto, o acompanhamento com um profissional habilitado garante uma alimentação com estratégias personalizadas às necessidades de cada um. E vale destacar a importância de dietas serem prescritas excepcionalmente por um profissional nutricionista, não médico.
Quando o emagrecimento pode ser considerado princípio de transtorno alimentar?
Vanessa alerta que o processo de emagrecimento é algo que todos podem fazer sem ter resultados negativos, mas quando esse processo está associado ao medo de comer algum tipo de alimento ou grupo, ou até impedindo de sair e socializar, deve se ficar atento.
“Com o crescimento das mídias sociais qualquer notícia viraliza muito rápido, e muitas informações erradas sobre um alimento ou grupo de alimentos são espalhadas gerando medo”, a nutricionista continua “a pessoa começa a acreditar que não pode comer um pão francês ou arroz, senão está comendo errado e vai engordar. Inclusive, há um novo tipo de transtorno alimentar que é a ortorexia, que está associado a uma obsessão por comer de forma saudável”.
Quais são os impactos silenciosos provocados por uma dieta sem controle médico?
Vanessa conta que, sem controle nutricional, o principal é a deficiência de nutrientes, mas também pode ser responsável pelo desenvolvimento de transtornos alimentares.
Como iniciar uma dieta de maneira saudável?
“Procurando ajuda de uma profissional de nutrição é a melhor maneira. O Ministério da Saúde também tem um excelente guia de alimentação saudável para a população que contêm muitas dicas e não prejudica a saúde”, responde a nutricionista.
Lembre-se que com verão ou sem verão a caminho, o hábito da alimentação balanceada e saudável é de extrema importância, assim como consultar um bom nutricionista para melhores orientações de como cuidar da saúde do seu corpo.
Texto por Rafaella Bragiotti | Redação Saúde Minuto