Diverticulite: veja o que deve e o que não deve entrar no prato de quem tem a enfermidade
- Redação Saúde Minuto
- 12/05/2023
- Saúde
Os hábitos alimentares estão intimamente ligados ao surgimento e ao tratamento do problema
A diverticulite ou doença diverticular é uma inflamação que acontece em pontos do intestino grosso onde estão localizados os divertículos, pequenas saliências que se formam na parede do órgão. Ainda não existe uma causa definida para o surgimento dos divertículos, que estão presentes em aproximadamente 30% das pessoas acima de 50 anos e 70% dos pacientes entre 80 e 90 anos, mas pesquisas recentes apontam que seu desenvolvimento tem ligação com alguns fatores de risco como hereditariedade, envelhecimento, obesidade, falta de exercícios físicos e dieta pobre em fibras e água. Em muitos casos a presença dessas estruturas é assintomática, o problema surge quando alguns pedaços de fezes se acumulam dentro delas, levando à proliferação de bactérias que geram infecção.
Esse quadro é bastante comum no mundo ocidental, com incidência estimada em algum grau em um terço das pessoas acima dos 45 anos e 50% com mais de 80 anos, e seus principais sintomas são náusea, dor abdominal, especialmente do lado esquerdo, alterações intestinais (diarreia ou prisão de ventre), sangue nas fezes, inchaço e gases. Nos casos mais graves pode haver febre e incapacidade do paciente se alimentar e há o risco de aparecerem complicações, como perfurações no intestino, por isso é indicado que a pessoa seja internada.
O tratamento costuma envolver a prescrição de analgésicos e antibióticos e quando o problema é mais sério pode ser necessária uma cirurgia para drenar os abscessos ou retirar a parte do intestino comprometida. Os hábitos alimentares do indivíduo também precisam ser analisados, pois eles têm bastante influência. Durante a crise ele deve fazer uma dieta líquida ou bem leve para diminuir a formação de fezes e não sobrecarregar o intestino. Nesse momento bebidas alcoólicas, leites e derivados, especiarias, bebidas energéticas, o que inclui café e refrigerantes à base de cola, bebidas gaseificadas e embutidos devem ficar de fora da alimentação. Também é indicado que ele se mantenha muito bem hidratado. A ingestão de bastante líquido deve continuar após o tratamento da doença. Nessa fase a pessoa deve ter um cardápio rico em fibras que estão presentes nas frutas, verduras, legumes e grãos. Já os carboidratos refinados, os alimentos com muita gordura e sódio, assim como o excesso de cafeína devem ser evitados.
Texto por André Pinto | Cirurgião Geral e Cirurgião Bariátrico da Clínica Gastro ABC