Doenças inflamatórias intestinais avançam e reforçam a importância do Maio Roxo
- Redação Saúde Minuto
- 08/05/2026
- Saúde
As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) afetam cerca de 10 milhões de pessoas no mundo, de acordo com o Ministério da Saúde, e se caracterizam por um grupo de doenças que provocam inflamação crônica no intestino. A campanha “Maio Roxo” chama a atenção para condições ainda pouco conhecidas pela população, mas que impactam diretamente na qualidade de vida.
Dados recentes reforçam o crescimento da doença no Brasil. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Coloproctologia mostrou aumento de 61% nas internações por doenças inflamatórias intestinais nos últimos 10 anos, e estudos nacionais mais recentes também apontam tendência de crescimento dos casos, especialmente em regiões mais urbanizadas, o que pode estar relacionado tanto a mudanças no estilo de vida quanto ao maior acesso a exames e diagnóstico.
A retocolite ulcerativa e a Doença de Crohn são consideradas as principais representantes das DIIs, e os sintomas mais comuns são diarreia crônica, presença de muco ou sangue nas fezes, urgência para evacuar, principalmente durante a noite, perda de peso, dor abdominal e fraqueza. O Dr. Álvaro Faria, Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo da Clínica Gastro ABC, explica que “as causas ainda são desconhecidas, mas, podemos dizer que estão relacionadas a fatores imunológicos, genéticos e também à alteração da flora intestinal”.
As doenças inflamatórias intestinais podem surgir em qualquer idade, sendo mais comuns em dois períodos: entre os 15 e 35 anos e entre os 50 e 60 anos. O Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo explica que, “na Doença de Crohn, a inflamação pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, mas é mais comum no final do intestino delgado e no cólon, tendo como principais sintomas a dor abdominal e a diarreia. Já a retocolite ulcerativa acomete o cólon e o reto, e a inflamação ocorre apenas na camada mais superficial da parede intestinal. Os sintomas mais comuns são diarreia e sangramento nas fezes”.
O diagnóstico é feito por médicos gastroenterologistas, que realizam exames como colonoscopia, endoscopia, tomografia, ressonância e exames laboratoriais de sangue e fezes.
Mesmo não tendo cura, as DIIs têm controle. Isso depende do tipo de doença, do nível de gravidade e do perfil do paciente. O tratamento pode incluir medicamentos, mudanças na alimentação e, às vezes, cirurgia, na qual são retiradas partes danificadas do intestino.
“Outro ponto importante é entender que o tratamento não deve acontecer apenas durante as crises. Mesmo nos períodos de remissão, quando os sintomas desaparecem, a inflamação pode continuar de forma silenciosa”, alerta o especialista.
Com isso, a campanha Maio Roxo reforça a importância de reconhecer os sinais do corpo, buscar ajuda médica e, para quem já convive com a doença, manter o acompanhamento.
Texto Por: Dr. Álvaro Faria