E quando o antibiótico não faz mais efeito? Descubra os riscos e como se proteger
- Redação Saúde Minuto
- 30/10/2024
- Saúde
Os antibióticos são aliados poderosos contra infecções, mas o que acontece quando eles simplesmente param de funcionar? Segundo uma pesquisa da revista The Lancet, a resistência a antibióticos pode causar mais de 39 milhões de mortes até 2050.
As infecções são causadas por microrganismos como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Os sintomas variam de acordo com a infecção e podem incluir febre, dor e cansaço, mas, em casos graves, podem ser fatais.
“As infecções resistentes a antibióticos ocorrem quando as bactérias mudam de tal forma que os antibióticos comuns se tornam ineficazes. Isso representa um grande risco para a saúde pública”, alerta o Dr. Igor Marinho, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Como os antibióticos funcionam?
Antibióticos são essenciais para combater infecções bacterianas. Eles podem atuar de diferentes maneiras, dependendo de sua classe e do tipo de bactéria. Alguns destroem a parede celular das bactérias, outros impedem a reprodução ao interferirem na produção de proteínas ou no material genético. Existem até aqueles que inibem a capacidade da bactéria de sintetizar componentes vitais.
“Cada tipo de antibiótico tem uma função específica no combate às bactérias, mas quando a resistência surge, todo esse processo fica comprometido”, explica o Dr. Igor.
Os perigos da resistência a antibióticos
- Tratamentos ineficazes: Infecções resistem ao tratamento, prolongando a recuperação e aumentando o risco de complicações e transmissão para outras pessoas.
- Agravamento da doença: Infecções antes controláveis podem se tornar graves e até fatais.
- Impacto na saúde pública: A disseminação de bactérias resistentes pode levar a surtos difíceis de controlar, com poucas opções de tratamento.
Quais bactérias são mais resistentes?
Dr. Igor Marinho destaca algumas das bactérias mais comuns que apresentam resistência a antibióticos:
- Staphylococcus aureus: Pode causar infecções na pele e, em casos graves, no sangue, pulmões e outros órgãos.
- Escherichia coli (E. coli): Conhecida por infecções urinárias, algumas cepas são resistentes a múltiplos antibióticos.
- Klebsiella pneumoniae: Causa pneumonia e infecções na corrente sanguínea, especialmente em ambientes hospitalares.
Como se prevenir?
Prevenir a resistência a antibióticos começa com práticas de higiene e uso responsável dos medicamentos. “Lavar as mãos regularmente, manter o ambiente limpo e seguir corretamente as prescrições médicas são ações essenciais para evitar infecções”, reforça o Dr. Igor.
Ele ainda destaca um estudo da Universidade Northwestern, que sugere que os bacteriófagos — vírus que infectam bactérias — podem ser usados futuramente para tratar infecções resistentes.
“Manter uma boa higiene e ter hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir a necessidade de antibióticos e prevenir infecções”, finaliza o especialista.
Texto por: Dr. Igor Marinho, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo