Janeiro Branco: qual a relação da saúde mental e o seu coração?
- Redação Saúde Minuto
- 19/01/2026
- Saúde
Campanha Janeiro Branco reforça a importância do cuidado emocional na prevenção de doenças cardiovasculares
O Janeiro Branco, campanha global de conscientização sobre a saúde mental, convida a sociedade a refletir sobre emoções, comportamentos e qualidade de vida logo no início do ano, um período simbólico de renovação de projetos e expectativas. Mais do que um cuidado psicológico isolado, a ciência mostra que a saúde mental está diretamente ligada à saúde do coração.
De acordo com a Dra. Rafaela Penalva, chefe da Seção de Cardiometabolismo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, emoções como estresse crônico, ansiedade e depressão produzem impactos biológicos reais no organismo. “Esses estados emocionais mantêm o corpo em alerta constante, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca. Com o tempo, isso sobrecarrega o músculo cardíaco e favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares”, explica.
A conexão entre mente e coração acontece por meio do chamado eixo cérebro-coração, mediado pelo sistema nervoso autônomo. Situações de estresse intenso ou prolongado ativam a liberação excessiva de hormônios como a adrenalina e o cortisol.
“A adrenalina é essencial em momentos pontuais, mas quando permanece elevada, pode causar arritmias e desgaste das artérias. Já o cortisol, em níveis cronicamente altos, aumenta a glicose no sangue e favorece o acúmulo de gordura abdominal, fatores diretamente ligados ao risco cardiovascular”, destaca a Dra. Rafaela.
A ansiedade e a depressão crônicas também estão associadas ao aumento de substâncias inflamatórias no organismo. Esse processo inflamatório silencioso torna as placas de gordura nas artérias mais instáveis. “Quando essas placas se rompem, o risco de infarto aumenta significativamente”, alerta a cardiologista.
Além disso, o estresse contínuo pode interferir na condução elétrica do coração. Palpitações benignas podem evoluir, em pessoas predispostas, para arritmias mais graves, como a fibrilação atrial, que eleva o risco de AVC.
Distinguir uma crise de ansiedade de um evento cardíaco é fundamental, especialmente em situações de emergência. Segundo a Dra. Rafaela, o infarto costuma provocar dor em aperto no peito, com irradiação para o braço ou mandíbula, acompanhada de suor frio e náuseas, sem relação com a respiração. Já a crise de ansiedade tende a causar sensação de sufocamento, formigamento nas extremidades e medo iminente, mas sem alterações típicas no eletrocardiograma.
O cuidado com o coração vai além dos medicamentos. “O tratamento ideal é multidisciplinar. Cardiologistas cuidam do órgão, enquanto psicólogos e psiquiatras tratam a central de comando, que é o cérebro”, afirma a Dra. Rafaela Penalva. Estudos mostram que pacientes que tratam a depressão após um infarto apresentam taxas de sobrevida significativamente maiores.
Como mensagem central do Janeiro Branco, a especialista reforça que pequenas mudanças no dia a dia protegem tanto a mente quanto o coração:
- Meditação e mindfulness: ajudam a reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca;
- Desconexão digital: diminuir o uso de redes sociais e o consumo excessivo de notícias, especialmente à noite;
- Gestão de limites: aprender a dizer “não” e evitar a sobrecarga de trabalho, uma das principais causas de burnout e eventos cardíacos.
“O coração sente o que a mente vive. Cuidar da saúde mental não é um luxo, é uma estratégia essencial de prevenção cardiovascular”, conclui a Dra. Rafaela Penalva.
Texto por: Dra. Rafaela Penalva