Você envelhece, e sua coluna também
- Maria Luiza Cesario
- 16/10/2025
- Saúde
Entenda como o desgaste natural da coluna acontece, quais hábitos aceleram esse processo e o que fazer para manter qualidade de vida.
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revelou que 27 milhões de brasileiros sofrem de doenças crônicas na coluna. Os dados evidenciam que 8,7% dos jovens de 18 a 29 anos já apresentam problemas, e entre os maiores de 60 anos esse índice sobe para 26,6%. O estudo reforça que: assim como você, sua coluna também envelhece.
À medida que envelhecemos a coluna vertebral passa por um processo natural de desgaste. Contudo, envelhecer não significa necessariamente padecer. A dor está mais relacionada a fatores de risco e ao estilo de vida.
Dr. Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein explica que “Envelhecimento não é doença, e cada vez mais vemos pessoas, vivendo mais e com qualidade de vida. Contudo, ao longo dos anos, perdemos colágeno, água, ácido hialurônico, os proteoglicanos – com isso a coluna começa a ficar um pouco mais rígida.”
Dentre os principais problemas destacam-se:
- Discos intervertebrais:
Os discos intervertebrais são estruturas gelatinosas, semelhantes a anéis, localizadas entre as vértebra que funcionam como os amortecedores da coluna e permitem flexibilidade. Ao envelhecer os discos perdem seu principal componente: a água. Essa desidratação faz com que eles diminuam de altura, perdendo a elasticidade e a capacidade de absorver os choques do dia a dia.
Essa perda de funcionalidade tem com consequências as dores lombares e rigidez. Além do maior risco de hérnia de disco, pois a desidratação enfraquece o anel externo do disco, tornando-o mais suscetível a rupturas.
- Densidade Óssea
A densidade óssea é a medida da força e da solidez dos ossos. Com o envelhecimento, essa densidade começa a cair gradualmente, e a perda óssea se acelera, tornando os ossos porosos e frágeis.
Essa perda de densidade aumenta o risco de osteoporose e de fraturas vertebrais, resultando em perda de altura, postura encurvada e dor crônica e debilitante.
- Ligamentos
Os ligamentos são fortes faixas de tecido conjuntivo que conectam os ossos da coluna, proporcionando estabilidade. Com o envelhecimento, esses ligamentos tendem a se tornar mais espessos, duros e menos elásticos, diminuindo a mobilidade, podendo causar dor e desconforto ao tentar realizar algumas atividades. A diminuição da elasticidade também pode levar a um maior esforço muscular para compensar a falta de estabilidade, o que pode sobrecarregar a coluna e aumentar as chances de lesões.
- Articulações Facetárias
As articulações facetárias são as pequenas juntas localizadas na parte de trás da coluna que conectam as vértebras entre si, permitindo o movimento de flexão e extensão. Com o tempo e o uso constante, a cartilagem que reveste essas articulações sofre um processo de desgaste e pode evoluir para artrose espinhal, causando atrito entre os ossos. Em alguns casos, o corpo tenta compensar criando crescimentos ósseos chamados osteófitos (conhecidos como “bicos de papagaio”), que podem comprimir os nervos e intensificar os sintomas, como dor e formigamento.
Essas mudanças explicam sintomas comuns como dor nas costas e no pescoço, rigidez matinal, perda de mobilidade, alteração da postura (como a cifose senil) e até formigamento nos braços ou pernas, por compressão de nervos.
Porém hoje em dia não é raro ver jovens de 20 anos com uma coluna “de 30”, ou idosos de 60 com uma coluna saudável. Isso acontece porque, além da genética, a intensidade dos sintomas está diretamente ligada ao nosso estilo de vida.
Alguns hábitos que aceleram o envelhecimento precoce da coluna são:
- Tabagismo
O fumo prejudica a circulação sanguínea, e como os discos não possuem vasos sanguíneos próprios, dependem da circulação dos tecidos ao redor para receber nutrientes e oxigênio. O tabagismo restringe esse fluxo, levando à desidratação e à desnutrição dos discos, acelerando a sua degeneração e os torna mais frágeis e propensos a hérnias.
- Sobrepeso
O excesso de peso coloca uma sobrecarga nas articulações do corpo. Essa pressão adicional acelera o desgaste da cartilagem e o colapso dos discos, especialmente na região lombar. Também impactando negativamente o quadril e os joelhos, alterando como você se move e redistribuindo o peso de maneira inadequada, o que também afeta a coluna.
- Sedentarismo
A falta de atividade física é um fator crucial para a perda da força muscular que protege a coluna. Sem exercícios, a musculatura que dá suporte e estabilidade à coluna vertebral enfraquece, forçando as vértebras, discos e ligamentos a suportarem mais carga. O resultado é um desgaste precoce, maior rigidez e um risco elevado de lesões.
- Má postura
A má postura é um hábito que aumenta o desgaste da coluna. Quando você se senta de forma curvada, a carga sobre os discos da região lombar aumenta drasticamente. Ficar em pé com o peso distribuído de forma irregular também sobrecarrega certas articulações. Até mesmo dormir em uma posição inadequada pode causar tensão muscular e desalinhamento, contribuindo para a rigidez e a dor. A má postura constante é uma das principais causas de dor cervical e lombar.
O que fazemos com o corpo ao longo da vida influencia diretamente como a coluna vai chegar à terceira idade. Mas dá para prevenir o envelhecimento da coluna?
Não é possível interromper o envelhecimento, mas é totalmente possível retardar seus efeitos. A receita envolve uma combinação de cuidados como manutenção do peso saudável, postura correta, abandono do cigarro e atividade física regular, com orientação profissional.
Ou seja: a coluna envelhece com a gente. Não dá para parar o tempo, mas dá para envelhecer bem se cuidarmos dela todos os dias.