Mulher e Arritmias – colocando mais atenção no coração da mulher
- Redação Saúde Minuto
- 07/03/2024
- Bem-estar Cardiologia Saúde
A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte em todo o mundo. Ao contrário do que muitas pensam, as mulheres apresentam um risco significativamente maior de óbito por DCV do que por câncer.
O cotidiano da mulher, muitas vezes com múltiplos afazeres, confunde os sintomas de doenças cardiovasculares com problemas ortopédicos nos braços e/ou coluna e cansaço resultando em subdiagnóstico e falta de tratamento adequado.
As doenças cardiovasculares mais frequentes nesse cenário são o infarto agudo do miocárdio (IAM), o acidente vascular cerebral (AVC), a insuficiência cardíaca e as arritmias cardíacas, principalmente a fibrilação atrial. (FA).
O Dia Internacional da Mulher representa a soma de todas as lutas e conquistas das mulheres em todos os cenários da vida humana. ““Nós da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas – SOBRAC, queremos unir nossas forças ao cuidado do coração feminino, na prevenção, diagnóstico e tratamento das arritmias, convidando as mulheres:” escute o seu coração”!”, afirma a Dra. Maria Alayde, cardiologista e Coordenadora do Departamento de Mulher da SOBRAC.
Arritmia cardíaca
A arritmia cardíaca é uma alteração no ritmo do coração, fazendo com que o mesmo bata muito devagar, rápido demais ou de forma irregular. Ela pode ser transitória ou crônica, variando em gravidade. Algumas pessoas podem ter sintomas como palpitações, falta de ar, tontura, desmaios ou, em sua apresentação mais grave, resultar em morte cardíaca súbita (MS). Em outros casos, a arritmia pode ser assintomática.
Não existem arritmias específicas na mulher, entretanto, os sintomas, as causas, a incidência e os desfechos clínicos são diferentes quando comparados ao sexo masculino.
A fibrilação atrial é a arritmia mais comum em ambos os sexos, porém, na mulher tende a apresentar episódios mais longos e com frequência cardíaca mais elevada quando comparada aos homens. Esses achados podem indicar que, na mulher, a fibrilação atrial pode levar a manifestações clínicas mais exuberantes e com piores desfechos.
Independentemente do tipo de arritmia, é importante saber que há opções de tratamento. O primeiro passo é procurar um especialista em arritmias, que avaliará a gravidade e determinará a melhor conduta.
O diagnóstico e o tratamento adequados são fundamentais para evitar desfechos mais drásticos como dilatação do coração, fenômenos tromboembólicos ou a morte súbita.
O tratamento depende de um diagnóstico preciso e pode exigir mudanças em hábitos de vida incluindo dieta e atividade física, uso de medicamentos antiarrítmicos ou procedimentos mais invasivos como ablação por cateter e implante de dispositivos de estimulação cardíaca como marcapasso ou cardioversor-desfibrilador implantável (CDI).
Arritmias na gestação
Na mulher, os sintomas de arritmias podem aparecer pela primeira vez durante a gestação ou ter relação com o ciclo menstrual. A gestação pode, também, exacerbar os episódios de arritmias pré-existentes (até 52% das mulheres que possuem um diagnóstico prévio à gestação podem ter piora dos sintomas durante a gestação, mesmo com tratamento estabelecido).
Na última década, observou-se um aumento significativo na ocorrência das arritmias diagnosticadas na gestação e essa elevação tem sido atribuída ao aumento dos fatores de risco nessa população: maior idade materna, hipertensão arterial, obesidade e maior incidência de gestantes portadoras de cardiopatias congênitas.
Apesar da maior parte das arritmias que ocorrem durante a gestação serem benignas, alguns tipos podem resultar em complicações materno-fetais (sangramento materno, parto prematuro, recém-nascido com baixo peso).
Considerações finais
De uma maneira geral, as mulheres desconhecem o impacto negativo da doença cardiovascular na sua sobrevida e conhecem ainda menos sobre as arritmias cardíacas nesse cenário. Muitas mulheres com arritmias permanecem sem diagnóstico e muitas com diagnóstico não recebem o melhor tratamento disponível.
A Dra. Luciana Armaganijan, cardiologista especialista em arritmias cardíacas e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), explica que “é fundamental enfatizar que a maioria das pessoas com arritmia cardíaca pode levar uma vida normal e ativa, com o tratamento adequado. O tratamento da mulher tem suas peculiaridades e deve ser individualizado.”
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Dra. Maria Alayde | cardiologista e Coordenadora do Departamento de Mulher da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC)
Dra. Luciana Armaganijan | cardiologista especialista em arritmias cardíacas e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).