O impacto da diálise vai além do paciente: a importância de acolher as famílias no cuidado renal
- Redação Saúde Minuto
- 25/07/2025
- Bem-estar Saúde
No Brasil, mais de 172.500 pacientes realizam tratamento dialítico crônico, segundo o último Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN, 2024). Por trás de cada paciente em diálise, há uma rede familiar que também é profundamente afetada emocional e psicologicamente. O tratamento dialítico exige uma rotina rígida de três sessões semanais, além de cuidados com alimentação, medicamentos e monitoramento constante da saúde. Essa nova dinâmica impacta diretamente os familiares e pessoas próximas, que muitas vezes assumem o papel de cuidadores informais sem preparo ou suporte adequado.
Estudos mostram que mais de 60% dos familiares de pacientes renais crônicos relatam sintomas de ansiedade ou depressão. O desgaste emocional é potencializado pelo sentimento de impotência diante da progressão da doença, pelas restrições impostas à rotina da família e, em muitos casos, pela sobrecarga financeira causada pelo afastamento do trabalho e pelo aumento de despesas com transporte e alimentação. Nesse contexto, clínicas de diálise não devem se limitar ao atendimento técnico. O acolhimento às famílias precisa fazer parte da estratégia de cuidado.
Isso não significa substituir o papel de psicólogos ou assistentes sociais externos, mas sim criar uma cultura organizacional que reconheça o sofrimento do entorno e promova ações de escuta, orientação, apoio e acolhimento. Investir em canais de comunicação humanizados, encontros educativos, rodas de conversa ou simplesmente garantir que os familiares sejam informados com clareza e empatia já representa um avanço significativo. A saúde renal é um desafio coletivo.
Quando clínicas reconhecem e acolhem as famílias, fortalecem a adesão ao tratamento, melhoram os desfechos clínicos e cumprem, de forma mais ampla, seu papel social. Cuidar do paciente é, também, cuidar de quem cuida.
Escrito por: Rodrigo Lopes, CEO da Fenix Nefrologia