Transplante de útero: Uma nova esperança para mulheres com infertilidade
- Redação Saúde Minuto
- 21/10/2024
- Saúde saúde da mulher
O Hospital das Clínicas de São Paulo realizou recentemente o primeiro transplante de útero entre pacientes vivas na América Latina. O procedimento, desenvolvido pelo pesquisador sueco Mats Bramström e realizado em alguns países desde 2020, é considerado uma grande inovação na reprodução assistida, oferecendo uma nova esperança a milhares de mulheres deficientes de gestar. Segundo o Dr. Eduardo Motta, especialista em reprodução assistida e fundador da Clínica Huntington Medicina Reprodutiva, “Cerca de um milhão de mulheres em todo o mundo enfrentam infertilidade por problemas no útero, que não consegue fornecer um ambiente adequado para a gestação. O transplante de útero surge como uma alternativa viável para aqueles que, por condições médicas como agenesia uterina ou complicações cirúrgicas, não podem engravidar.
Como funciona
O Dr. Eduardo explica que o transplante de útero é uma cirurgia complexa, indicada para mulheres com problemas significativos na formação ou funcionamento do útero. “A cirurgia envolve a reconexão dos vasos sanguíneos, essencial para que o órgão funcione corretamente. Após o transplante, a transferência de embriões deve ser feita quanto antes, pois o paciente precisa tomar medicamentos imunossupressores. O casal já terá passado pelo processo de fertilização in vitro, e os embriões serão transferidos para o útero transplantado. O tempo estimado para essa transferência é de cerca de seis meses”.
Apesar do potencial de sucesso, o procedimento não é isento de riscos. “Estudos indicam que entre 70% e 80% dos transplantes são bem-sucedidos, mas até 30% apresentam complicações relacionadas à revascularização ou à resposta imunológica do corpo”, diz o Dr. Eduardo. Para minimizar os riscos, as pacientes precisam tomar imunossupressores durante toda a gestação. Após o parto, uma nova cirurgia é realizada para remover o útero transplantado, eliminando a necessidade.
Aspectos éticos e comportamentais
A ética do transplante de útero ainda é um tema delicado e em debate. A doadora, que já deve ter internado sua maternidade, passa por uma cirurgia para remover o útero saudável, e a receptora precisa estar em boas condições de saúde. “É essencial que a doadora compreenda integralmente os riscos e as implicações da cirurgia. Um diálogo claro e um consentimento bem informado são fundamentais”, ressalta o Dr.
O impacto psicológico para as mulheres que buscam essa alternativa também é significativo. “Muitas mulheres que não podem gestar não compartilham a gestação por útero de substituição ou a adoção como alternativas viáveis, pois sonham com a experiência da gravidez em seus próprios corpos. O transplante uterino oferece essa oportunidade, transformando profundamente a relação dessas mulheres com a maternidade”, comenta.
Perspectivas futuras
Com cerca de 25 crianças já nascidas pelo mundo graças ao transplante de útero, o procedimento se consolida como uma técnica promissória na reprodução assistida. “A medicina reprodutiva está em constante evolução, buscando sempre maior segurança e eficácia nos tratamentos. O transplante de útero não só traz esperança para muitas mulheres, mas também reforça a importância da pesquisa e da ética nesse campo. Conforme mais dados são obtidos e experiências compartilhadas, o que antes parecia impossível se tornar uma realidade cada vez mais próxima para mulheres ao redor do mundo”, conclui o especialista.