Diagnóstico precoce do linfoma é essencial para os bons resultados no tratamento
- Redação Saúde Minuto
- 15/09/2023
- Hematologia Saúde
O diagnóstico precoce do linfoma é fundamental para um tratamento bem-sucedido. O Dr. Breno Gusmão, onco-hematologista, nos explica melhor!
De acordo com as estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no triênio 2023-2025 serão mais de 15 mil os novos casos de linfomas, sendo os homens mais atingidos. Ter um diagnóstico precoce faz diferença para os bons resultados no tratamento, mas para isso é preciso conhecer os sintomas e realizar os exames corretos.
O que é linfoma
Pelo sistema linfático, trafegam os linfócitos, tipo de glóbulos brancos responsáveis por defender nosso organismo contra vírus, bactérias, dentre outros perigos. O linfoma acontece quando estas células passam a apresentar um defeito genético, e começam a se reproduzir de maneira descontrolada, tornando-se malignas. Este tipo de câncer do sistema linfático é dividido em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH).
LH x LNH – saiba quais são os tipos de linfomas
Atualmente, o linfoma de Hodgkin corresponde a cerca de 20% dos casos da doença. Ele pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais comum em homens entre 25 a 30 anos. Já o grupo dos LNH abrange mais de mais de 80 os tipos, com características e tratamentos diferentes. Ele é basicamente dividido em 2 grupos, de células B e T/ NK, a depender da célula de origem, sendo os de origem B os mais frequentes. A justificativa para tantos tipos diferentes está baseada na quantidade de linfócitos normais em nosso organismo. Os linfócitos B, T e NK – do inglês natural killer, que em algum momento de sua circulação entre medula óssea, timo e linfonodo se transformam em uma célula não saudável.
Sinais e sintomas do linfoma
Um passo muito importante é reconhecer quais os principais sinais que o linfoma pode apresentar:
- Aumento dos gânglios (sem dor) na região do pescoço, axila e virilha;
- Suor noturno intenso;
- Febre, sem sinais de infecção;
- Emagrecimento importante sem motivo conhecido;
- Coceira;
- Cansaço extremo / fadiga
Se notar algo diferente no corpo, não hesite em procurar por um médico!
Diagnóstico do linfoma – Conheça os exames corretos para a descoberta da doença
Quando o paciente chega ao onco-hematologista, médico especialista no tratamento dos linfomas, o primeiro passo é contar sobre os sintomas apresentados. Na maioria dos casos, nota-se aumento dos linfonodos no exame físico, notando-se consistência e tamanho. Além de alguns exames de sangue, a biópsia do linfonodo é fundamental para o diagnóstico assertivo. Assim, um fragmento do linfonodo (ou até ele inteiro) será extraído para melhor análise
É possível que o médico também solicite uma biópsia da medula óssea. Por meio de uma agulha é removido um pequeno fragmento do osso do quadril, para avaliar se há infiltração do linfoma neste tecido. Com o resultado da biópsia será possível descobrir se o paciente tem um linfoma ou não. Porém, definir o estadiamento do linfoma (se ele está no início ou já avançado), exames de imagens também serão solicitados.
O PET Scan, que hoje encontra-se disponível no sistema público e privado de saúde, é bastante importante no momento do diagnóstico e acompanhamento do linfoma. O objetivo é verificar as regiões acometidas pela doença. Este exame também é muito importante para definir resposta ao tratamento. A tomografia computadorizada também é uma opção nestes casos, com várias imagens simultâneas e bem detalhadas que serão retiradas de todo o corpo.
Tratamento
São diferentes as opções terapêuticas existentes hoje, que vão ser indicadas pelo médico a depender do tipo e subtipo do linfoma. As principais são: quimioterapia, imunoterapia, transplante de medula óssea autólogo (quando as células são do próprio paciente) e também radioterapia (em raros casos). A terapia genética CAR-T Cell, que vem revolucionando o tratamento dos cânceres do sangue, é também opção para o linfoma do tipo B. Ela ainda não está disponível para uso no SUS.
Texto por: Dr. Breno Gusmão Onco-hematologista